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Heroínas da manutenção: Arlete Tigre

Conheça a história de Arlete Tigre, uma profissional que trilhou uma trajetória singular e inspiradora na MRS Logística. Ela aprendeu manutenção do zero até chegar à coordenação de equipes no socorro de vagões de trem descarrilhados em todo o estado de São Paulo e assumir duas equipes de oficina em Santos.

Paulistana nascida na capital de São Paulo, tem três irmãos homens, sendo a única filha mulher. Dois de seus irmãos são projetistas mecânicos, com grande conhecimento de Autocad e SolidWorks, o outro é design gráfico. Já o seu pai é construtor civil e sua mãe artesã.

O desenvolvimento dela nesse ambiente bastante técnico fomentou sua curiosidade desde pequena e auxiliou com que, anos mais tarde, ela se sentisse apaixonada por desbravar a área de manutenção, mesmo que por acaso como ela mesma disse: “Caí de paraquedas na manutenção.”

Trajetória profissional

Em 2010, após sair de uma empresa de Telemarketing onde foi Agente de Atendimento, foi aprovada em uma entrevista para Assistente Administrativo em uma empresa terceirizada que prestava serviços de Manutenção de Vagões para a MRS Logística, empresa do setor ferroviário.

Aproximadamente um ano depois, foi convidada a fazer parte do quadro de funcionários próprios da MRS. Ainda como assistente, sua responsabilidade era apoiar a coordenação e colaboradores do quadro operacional. Um ano depois foi promovida a Analista cuja responsabilidade incluía também realizar elaboração, acompanhamento e controle dos custos de manutenção (Opex e Capex).

Em 2014, recebeu mais uma responsabilidade que desta vez estava acompanhada de desafios especiais: foi promovida a Coordenadora de Manutenção de equipe de atendimento externo onde ela conduzia e acompanhava sua equipe para atendimento de manutenções mecânicas e pneumáticas de vagões de trem e SOS Ferroviário. Sua área de atuação em descarrilho era o estado de SP e sua dificuldade inicial foi a falta de conhecimento técnico ao assumir a equipe de Manutenção formada somente por homens mecânicos e metalúrgicos além de operadores de guindaste ferroviários. Segundo suas próprias palavras, ela se sentia privilegiada de ter na equipe colaboradores com mais de 20 anos de experiência.

Ela relata também sobre a dificuldade para ser “aceita” como Coordenadora; o setor ferroviário é um segmento que, em 2010, apenas 5% do quadro era composto por mulheres.

Mas, aos poucos, foi recebendo ajuda da equipe, conhecendo os processos e como poderia contribuir para que os resultados pudessem ser alcançados e permaneceu como Coordenadora de 2014 até 2019.

Fui aprendendo aos poucos com o pessoal da manutenção. Meus olhos brilhavam e eles me ajudavam, ensinavam.”

Batalhas do dia a dia

Algumas dificuldades que desabafa estão relacionadas à falta de estrutura para mulher, o que acontece também na indústria e são semelhantes às que a Juliana Farah comentou na live dela. Pode-se citar a ausência de toalete feminino em algumas bases ou no trecho por exemplo em descarrilho onde muitas vezes era a única mulher. Ela se lembra de uma situação na baixada Santista em 2014 onde houve um grande descarrilho e era a única mulher e não havia estrutura.

“Era sempre desafiador lidar com esses acidentes de vagões de trem, porque na maioria das vezes ocorriam em locais de difícil acesso e em condições adversas.”

Sempre valorizou os estudos e por isso nunca deixou de se atualizar e se especializar. Ela fez graduação em Logística, se tornou técnica em mecânica por entender a necessidade em virtude da área de atuação, possui um MBA executivo em Gestão de pessoas e Liderança, e Pós em Engenharia de Produção, pois é encantada pela área de engenharia.

Atualmente tem o projeto futuro de cursar uma Pós em Engenharia de Confiabilidade e continuar se especializando na Gestão da Manutenção e ativos.

“Também fiz os cursos promovidos pela empresa visando agregar conhecimento e performance de desempenho.”

Apesar das dificuldades, Arlete comentou durante nossa conversa que não se imaginava fazendo outra coisa.

“Manutenção é uma área que me chama muito a atenção. Sou fissurada por entender melhor as técnicas de manutenção e inspeção. Amo investigar, entender as possibilidades e as ferramentas que estão ao meu alcance.”

Maternidade e o trabalho

Outro grande desafio além da rotina pesada, nossa heroína ainda conseguia encontrar tempo para dedicar ao filho. “Quando engravidei em 2015, meu gestor foi muito atencioso e me incentivou a aproveitar esse momento e recebi todo o apoio.Porém mesmo grávida eu quis continuar trabalhando.”

Ela conta que retornou ao seu posto a todo gás após a licença maternidade e assumiu duas equipes sendo uma interinamente Oficina, totalizando 60 colaboradores.
Desabafa também que não era fácil conciliar o trabalho com a função de mãe, mas fazia questão de ficar com o filho o máximo de tempo que conseguia e sua mãe exerceu um papel muito importante lhe dando estrutura para sair tranquila sabendo que ela estaria com seu filho.

Experiência em gestão

Nossa heroína também tem muitas experiências em gestão e compartilha algumas dicas sobre como ela inspirava sua equipe. Primeiramente, ressalta a importância da gestão humanizada, pois cada indivíduo possui pontos fortes e fracos diferentes que precisam ser trabalhados. Em segundo lugar, fala da sua preferência pelo conceito de feedforward ao invés do feedback, pois sabe da importância de alinhar os pontos com sua equipe e fazer com que eles se sintam parte das mudanças futuras para não haver reincidência de erros.

Sua maior satisfação como gestora foi em 2015 quando recebeu seu novo desafio na baixada santista e quando chegou lá encontrou uma equipe que estava desclassificada do campeonato interno onde juntos trabalharam ao longo do ano com plano de ações e execução dessas ações e pôde ver o progresso desse trabalho com a sua equipe chegando em 2° Lugar neste campeonato.

Tempo para descanso e hobbies

Quando era mais jovem, Arlete gostava de jogar futebol com os irmãos. Hoje em dia, tem usado o tempo livre para sair mais depois que se tornou mãe e frequentar parques, zoológicos e shoppings para que seu filho possa se divertir.

Ela também adora assistir a filmes e escutar música. Um trabalho voluntário muito especial que possui é o de ser intérprete de libras, uma prática que já faz há vinte anos!

Novos desafios

Em 2019, ela saiu da MRS e começou a desbravar outras habilidades junto com a equipe da Manutenção em Ação, escrevendo artigos técnicos e organizando eventos didáticos de manutenção.

A trajetória da Arlete mostra muito bem que com paixão e garra é possível se aprofundar em uma área totalmente nova até alcançar a excelência. Se você achou inspiradora a história dela e quiser ter a chance de prestigiá-la, não perca o nosso Intensivão de Gestão de Ativos e Confiabilidade que ela está organizando junto com a Tractian na primeira semana de março!