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Heroínas da manutenção: Francine Schneider

A heroína que nos deu a honra de compartilhar sua trajetória no post dessa semana é a Francine Schneider, supervisora de manutenção na BRF Brazil Foods. Ainda com 25 anos, ela já acumula duas experiências no setor de aviação e atualmente coordena todos os processos de abate e corte de frango na planta de BRF em Nova Mutum, Mato Grosso.

A educação como base

Francine Schneider no aviãoFrancine nasceu em Dianópolis, no Tocantins, mas cresceu em Rio Verde em Goiás junto com suas três irmãs. Ela conta que, desde criança, tem um interesse muito grande por aviões, em parte por influência do pai que a levava para passar tempo no aeroporto e observar as aeronaves. Por infortúnio do destino, Francine perdeu o pai muito nova, aos oito anos, mas a importância que ele dava aos estudos é um valor que permaneceu com a família. A mãe, dona de casa, também destacava a importância de estudar e disse às filhas que elas teriam de ser independentes e buscar formação superior. Sempre estudou em escola pública, sendo que ela e todas as suas irmãs conseguiram se formar no ensino superior por meio de bolsas de estudo e trabalho para pagar as próprias contas. Francine foi bolsista integral em uma universidade particular, onde cursou engenharia mecânica.

“A decisão de estudar engenharia mecânica veio porque eu enxergava ser um curso que me permitiria ficar mais perto da área de aviação. Eu me via atuando como mecânica de aviões.”

Mão na massa

Ainda durante a faculdade, começou a trabalhar na Conte Aero em Rio Verde. Ela diz que somente conseguiu essa vaga porque foi muito insistente; ia para lá frequentemente, ligava para eles, até que um dia recebeu uma ligação dizendo que, de tanto insistir, eles decidiram contratá-la. Assim, começou a realizar revisões em aviões como auxiliar em uma oficina homologada pela Anac, aos 19 anos. “Eu chorei de alegria com a ligação, era o meu sonho.”

Na Conte Aero, teve as primeiras atividades de “mão na massa” de manutenção e revisão de aviões, onde trocava o óleo, peças e testava se os aviões estavam funcionando bem sob a supervisão de seu chefe.

Depois dessa experiência, foi trabalhar na Aero Verde, cuidando da revisão de aviões agrícolas. Lá, ela já tinha liberdade para mexer sozinha nos aviões e cuidar de seis frotas. “Eu taxiava, desmontava e montava a estrutura do avião toda.”

O maior desafio para ela era justamente a parte de fazer a revisão sozinha sabendo do peso de suas responsabilidades. Costumava ouvir de seu supervisor que “Se alguém morrer, tá na sua mão”. Ela também relata o triste incidente que presenciou, e pelo qual não foi responsável, de um colega de trabalho cujo avião caiu e ele faleceu. “Fiquei abalada, e só reforçou a ideia de que com aviões as pessoas estão lidando muito diretamente com vidas.”

Mudança de rumo

Após um ano na Aero Verde, tomou a difícil decisão de não seguir na aviação porque, para pilotar, precisaria fazer carteira. Além disso, ser engenheira mecânica não contava muito para essa carreira.

Nessa época, candidatou-se a uma vaga de trainee na BRF. Dos cinco mil candidatos, apenas nove seriam selecionados e, desses, somente uma pessoa ocuparia a vaga na área de manutenção. Francine foi a profissional escolhida para esta vaga!

Francine Schneider no campo trabalhando

Na BRF, teve a ajuda de Luciano Araújo, supervisor chefe que a ensinou tudo sobre manutenção. Após o programa de trainee, ela foi efetivada como engenheira de manutenção e foi para a linha com a equipe. Nessa posição, teve muita autonomia e liberdade para cuidar da manutenção de um processo específico, o de stork de frango. Ainda com 22 anos, já cuidava da manutenção preventiva, corretiva, dos custos e gerenciava equipes em todos os turnos. “Liderar as equipes foi tranquilo desde o começo porque eu já tinha passado por muitas experiências e sempre tive facilidade de comunicação.” Francine foi trabalhando em cada ponto que precisava ser melhorado na BRF e tendo ao seu dispor inúmeras ferramentas para acompanhar os índices de manutenção.

Em 2019 recebeu, então, uma proposta da Amaggi para ser coordenadora de PCM e aceitou, passando por uma mudança brusca do ambiente industrial para o agroindustrial. “Não consegui me encontrar muito lá porque o ritmo é muito diferente do ritmo da indústria. Então junto ao meu ex-chefe avaliamos a vaga para que eu retornasse à BRF Foods no ano passado.” Com essa proposta, Francine se tornou supervisora de manutenção na planta de Nova Mutum, no Mato Grosso. Segundo ela, é uma planta menor comparada à primeira planta da BRF onde trabalhou, mas agora possui equipe e responsabilidades maiores. Atualmente, aos 25 anos, coordena 28 pessoas na área de abate e corte de frango.

Tempo para esvaziar a mente

Quanto ao tempo livre, reserva ao menos um dia da semana para descansar. Entre suas atividades preferidas, ela confessa adorar assistir a séries no Netflix, ir a cachoeiras ou passear em áreas verdes com os amigos e namorado em Nova Mutum e região.

Com base nos aprendizados que acumulou, ela compartilha o conselho de não julgar pessoas sem antes conhecer a história delas. Tendo conquistado tantas coisas tão nova, ela comenta que muitos pensam que a vida dela foi fácil. A verdade é que nossa heroína se esforçou muito e se abdicou de muitas coisas para chegar onde chegou.

“Cheguei a trabalhar das 7h à meia noite, inclusive aos domingos e feriados e voltava toda suja de graxa em casa tarde da noite.”

Nós da Tractian valorizamos e admiramos o esforço de todos os profissionais de manutenção e parabenizamos com muita alegria a trajetória de Francine, que está impactando a área em que atua e ainda tem muito chão para trilhar.