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Heroínas da Manutenção: Nayana Maia

A grande profissional homenageada no artigo de hoje é a Nayana Maia, paraense nascida na cidade de Castanhal. Ela e a irmã gêmea estudavam em casa durante a infância. Por incentivo da família, ambas se mudaram do interior para a cidade grande e foram estudar, aos 13 anos, no Instituto Federal do Pará. Lá, completaram o ensino médio e o ensino técnico, já que não tinham dinheiro para cursinho.

Aos 17 anos, quando começou o curso de engenharia de minas e meio ambiente, Nayana foi morar sozinha, pois a faculdade ficava a dez horas de sua casa. Toda a sua educação foi estabelecida em escolas públicas e ela estudava muito porque sabia que não tinha condições de pagar pela educação de escolas particulares e não admitia ficar para trás.

Trajetória profissional

Após seus estudos, fez estágio na Vale por seis meses de Planejamento de Lavra, onde participou da confecção dos planos semanais e de projetos para despacho. Foi lá na Vale onde teve o primeiro contato com mineração.

Ambiente de Trabalho de uma gestora de manutenção

Depois, foi trabalhar na Komatsu, onde fez estágio e lidou muito com melhoria de KPIs.

Passou ainda pela Hennings, empresa de mangueiras e conexões hidráulicas, onde chegou a coordenar uma equipe de 15 homens aos 24 anos!  Na Hennings, lidou com PCP, compra e estoque. Como a sede fica em Santa Catarina, Nayana relatou o desafio de se relacionar com pessoas de cultura um pouco diferente, além de achar interessante as diferenças no sotaque.

Após a Hennings, ela voltou a trabalhar na Komatsu, onde ajudou a construir projetos de montagem, PC8000 e conseguiu mostrar novas formas de lidar com grandes paradas. “Me senti muito feliz quando tive a oportunidade de substituir meu chefe durante o período em que ele estava de férias.” Ela lidava com reformas e manutenção de caminhões, escavadeiras e carregadeiras, garantindo o prazo das atividades e a confiabilidade das máquinas.

O trabalho era puxado, pois era dividido em turnos. Outras responsabilidades que assumiu eram o de garantir recursos na praça, garantir a segurança da equipe e estar pronta para lidar com acidentes. Sobre os desafios do trabalho, ela relata que a teoria é muito diferente da prática: “No campo, às vezes não se tem acesso a internet e você também tem que passar tempo dentro de contêineres.”

 

Obstáculos que não deveriam existir

Nayana no trabalho

Dentre suas experiências nas empresas, ela era a única mulher na área e conta dos incidentes que viveu de machismo e assédio moral. “Às vezes, quando me aproximava da equipe de trabalho, os homens abaixavam a voz ou mudavam do assunto técnico para outro assunto, como se eu não fosse capaz de participar desse tipo de conversa mais técnica. Eu me sentia ignorada e diminuída durante essas conversas.”

Ela desabafa que quando ocupava cargos de liderança alguns homens não acatavam suas ordens porque não aceitavam obedecer uma mulher e ainda por cima jovem. Após um período em que esteve afastada da área devido às férias, porém, alguns de sua equipe confessaram o quanto a presença dela coordenando a equipe tinha feito falta.

Também já ocorreu de algumas vezes ela ser parada em um corredor, indagada se é técnica de segurança e responder que na verdade é engenheira. “As pessoas não esperam que uma mulher nesses ambientes seja a engenheira responsável.”

Dentre as dicas que ela dá, conta que é importante ter inteligência emocional, pois, sendo mulher, ela ficava sabendo de piadinhas que eram feitas pelas suas costas e de pessoas falando mal por trás. “Tem que ser séria mas educada. É importante estabelecer limites e também ouvir pessoas e saber o que elas têm a dizer.” Ela comenta que quando os colaboradores estão felizes, a equipe se torna mais eficiente.

Rotina de heroína

Sua rotina é puxada. Ela acorda 5h30 da manhã e pega o ônibus às 6h. O almoço dela é na mina e retorna ao fim do dia para casa. “Já cheguei a voltar meia-noite do trabalho para casa.”

No tempo livre, ela lê muitos livros, anda de bicicleta, assiste a Netflix e acompanha aulas de inglês de forma online. “Sou muito grata pelas oportunidades que tive. Trabalhar na Komatsu e na Vale são experiências que guardo com carinho na memória.”

Ser uma pioneira no ambiente de trabalho requer muita determinação e persistência. A Tractian sente muito orgulho dessas profissionais que estão quebrando barreiras e mostrando que mulheres têm sim muita capacidade de trabalhar em cargos que demandam alto nível de conhecimento técnico. Nós parabenizamos a Nayana e esperamos que a quantidade de mulheres em indústrias se torne mais equilibrado no futuro!