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Heróis da Manutenção: Juliana Farah

Chegamos ao terceiro post homenageando grandes protagonistas da manutenção no Brasil e, desta vez, exaltaremos o trabalho e a história de uma grande gerente de engenharia de manutenção e confiabilidade: Juliana Farah. Ela traçou uma trajetória muito completa em 18 anos de experiência com manutenção industrial, passando por todos os níveis de cargos dentro de empresas e acumulando conhecimentos também em gestão de pessoas.

Uma verdadeira guerreira

As conquistas não vieram de forma fácil para ela. Sendo a irmã mais velha entre cinco filhos, ela conta que em sua infância os recursos financeiros eram limitados e que seu pai vivia viajando a trabalho como encanador e depois como supervisor de caldeiras, então sua mãe assumia a criação dos filhos a maior parte do tempo. A fim de garantir que teria o dinheiro para fazer uma faculdade, ela iniciou os estudos em um curso técnico de mecânica aos 16 anos buscando encontrar oportunidades de estágio. Ela conta que era a única menina da sala no curso técnico: “Eu sentia os olhares do outros alunos se perguntando o que eu estava fazendo ali (rs). Sempre fui muito boa com matemática, e quando o professor faltava ele pedia para eu passar a matéria relacionada a cálculo.” Na época em que iniciou o curso noturno, ela trabalhava em uma lotérica durante o dia. O trabalho fazia com que ela chegasse atrasada às aulas e também a deixava muito cansada. O pai deu a ela, então, um desafio para que ela deixasse aquele trabalho e arranjasse outro emprego em até seis meses para continuar contribuindo com o pagamento de despesas da casa.

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Assim que ela soube da vaga de estágio em uma empresa em Cubatão-SP, ela foi se candidatar. “Nunca tinha passado por entrevistas daquele jeito, e minha sinceridade contando das coisas que eu não conhecia, como esquemas de lubrificação e bombas (pra mim bomba era só de chocolate! rs) atraiu a atenção e eu fui aceita para a vaga”. Então Juliana iniciou a carreira como estagiária técnica de mecânica em 2003, a primeira estagiária mulher nessa área dentro da empresa. Seu esforço em sempre entregar um trabalho de qualidade fez com que ela tivesse uma oportunidade como auxiliar técnica após o estágio, depois sendo promovida a analista de vibração. Com o dinheiro do trabalho ela começou a fazer faculdade. Em 2006, ela tomou a difícil decisão de pausar os estudos porque viajava frequentemente a trabalho, retomando os estudos em 2008. Um ano depois, ela recebeu o grande desafio na área de gestão para liderar uma equipe de 200 pessoas como coordenadora de contrato. Ela não tinha experiência nessa área mas enxergava muitas oportunidades de aprendizado. Quanto a essa decisão ousada, ela comenta que é sempre importante sair da zona de conforto e buscar a zona de desconforto, pois é lá onde é possível aprender mais.

Passando por cargos também em outras empresas, ela foi pouco a pouco adquirindo mais conhecimentos e ascendendo profissionalmente, exercendo cargos como técnica de manutenção preditiva, de mecânica especializada, de manutenção sênior, engenheira de manutenção pleno, engenheira coordenadora de manutenção e também gerente de engenharia com abrangência nacional. Com todos os trabalhos que desenvolveu ao longo dos anos, ela já participou e apresentou em seminários e congressos.

Quanto a conselhos para conseguir progredir na carreira, nossa guerreira afirma que é muito importante sempre buscar se desenvolver para se diferenciar dos demais: “Nunca precisei montar meu currículo para encontrar um emprego porque sempre corri atrás de desenvolver novas habilidades para me destacar no trabalho, e assim oportunidades foram surgindo.”

Atualmente, na Suzano Papel e Celulose em Aracruz-ES, ela atua como gerente de engenharia de manutenção e confiabilidade fazendo parte da equipe de implantação do MCM (Manutenção Classe Mundial) e estruturação da engenharia de confiabilidade com uma equipe de 14 engenheiros multidisciplinares.

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Entre suas novas experiências, em agosto de 2018 ela iniciou a carreira acadêmica lecionando na primeira turma da Pós Graduação Especialização em Engenharia da Confiabilidade na UNISANTA – Universidade Santa Cecília, além de dar cursos sobre análises de falhas e análises de vibrações.

Um tópico interessante que ela citou durante a entrevista é que ela não imaginava que chegaria onde chegou e que a vida é repleta de imprevisibilidades. Porém, ela sabia que queria ser sempre uma mulher dedicada e que ajudasse os outros e foi assim que ela guiou sua carreira.

As mulheres também conseguem

Nossa heroína comenta que já passou por situações complicadas por ser uma mulher atuando na área de manutenção. Ela já passou por plantas que não tinham vestiário feminino na área industrial, tendo que andar 3 km para encontrar um banheiro. Além disso, ela também já passou por pessoas que duvidaram das suas capacidades de resolver problemas. Houve um caso em que ela se apresentou a um cliente que havia solicitado um diagnóstico, escutando a pergunta “cadê o técnico?” para a qual retrucou “Não serve uma técnica?”. Ela conta que, depois que ela resolveu o problema dele, ele pediu desculpas.

Quando nos tornamos profissionais, somos assexuados. Não importa se é homem ou mulher, somos todos profissionais. O que importa é a competência, a capacidade.

Quanto a dicas para que mulheres possam se desenvolver em ambientes profissionais, a Juliana fala que é importante todas saberem escolher os momentos certos para brincar e falar com seriedade, demonstrando postura profissional. Para ela, é possível ser feminina no ambiente industrial e enfatiza para profissionais de ambos os sexos a importância da sinceridade em compartilhamento de opiniões e ideias, tratando o próximo sempre com educação. Complemento dizendo que os homens também precisam se esforçar para melhorar os ambientes de trabalho, levando a opinião de mulheres com seriedade e permitindo que elas trabalhem nas tarefas que desejarem, mesmo que sejam áreas com pouca participação feminina como é o caso da manutenção.

A heroína nos bastidores

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Quando Juliana não está trabalhando nem ensinando, ela está aprendendo, viajando, curtindo a família e seu cachorrinho Joaquim. Seu espírito cheio de energia é muito contagiante! Ela mesma comenta que precisa aprender a desacelerar seu ritmo às vezes. Durante a semana, por exemplo, ela ainda consegue arranjar tempo para estudar inglês à noite. Inclusive, depois da live que ela fez conosco, ela foi estudar inglês.

Ela conta que gosta muito de ler e que lê em média 15 livros por ano, sobre os mais variados temas (de assuntos técnicos a romances). Também é apaixonada por vinho e o maior prazer de sua vida é viajar: “Eu amooo viajar!!! Amo, amo, amo!”. Ela também tem estado de olho sobre possíveis oportunidades de encontrar uma companhia para fazer essas viagens com ela.

Entre os pontos mais encantadores de sua personalidade estão a determinação em inspirar outras pessoas por meio do compartilhamento de conhecimentos e também a ousadia de não ter medo de fazer perguntas para gerar mudanças ao seu redor:

Se você acha que tem uma pergunta boba demais para ser feita, faça, porque as outras pessoas pensam da mesma forma, não perguntam, e situações que poderiam ser melhoradas acabam permanecendo as mesmas.