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Heróis da Manutenção: Vitor Borba

É com muita admiração que compartilhamos a história de Vitor Borba, gerente de manutenção na ArcelorMittal Brasil, no artigo de hoje. Vitor é muito determinado, apaixonado pelo que faz e capaz de contagiar as pessoas ao seu redor com seu bom humor.

De onde veio a paixão por manutenção?

Manutenção está na sua família há muitas gerações! A família dele cuidava da primeira fábrica de televisores do Rio Grande do Sul e, além disso, seu avô trabalhava consertando equipamentos de raio-X para hospitais, sendo um dos precursores dessa prática no Brasil. Seu avô era técnico em eletrônica e autodidata — aprendeu sobre manutenção lendo revistas técnicas! Desde pequeno, Vitor foi bastante incentivado por ele e desmontava placas de computador junto com o seu irmão quando tinham apenas cerca de sete anos: “Às vezes a gente queimava o dedo com solda (rs), mas meu avô confiava na gente”.

Já o pai dele é engenheiro eletricista e também professor universitário da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo). Foi das mãos de seu pai que recebeu o diploma de graduação, pois Vitor estudou engenharia elétrica nessa mesma instituição. Em outras palavras, tanto o avô quanto seu pai tiveram influência no interesse pela área de manutenção e instigaram o desenvolvimento da sua curiosidade.

Vitor começou a trabalhar muito novo: aos 16 anos ele já consertava computadores dos vizinhos junto com o seu irmão. Ele gostava muito de trabalhar, mas se certificava de que isso não atrapalharia seus estudos. Essa determinação para dar o melhor de si é bem aparente! Vitor se lembra, rindo, de que fez vestibular com inflamação no dente e 39 graus de febre, mas não desistiu de fazer a prova e conseguiu passar apesar das circunstâncias. “Sempre gostei de me dedicar no limite…não sou de ficar parado!”.

Decisões definem a trajetória

Depois dos estudos, iniciou um estágio na Arcelor que durou 11 meses no qual atuou no laminador de tiras a quente. Depois, foi analista de sistemas e desenvolveu vários projetos entre 2005 e 2006. Em 2007, retornou à Arcelor após a fusão com a Mittal, onde teve que escolher entre se mudar para longe ou permanecer no estado, preferindo não se distanciar da sua família.

É interessante perceber como o raciocínio do Vitor se difere do que Denis Rezende priorizou durante a trajetória — Denis optou por se aventurar em oportunidades de trabalho mesmo quando elas eram em outros estados. Não existe fórmula para se atingir o sucesso profissional, e cada um precisa fazer um balanço dos benefícios e malefícios que cada nova decisão acrescenta à vida. Com a decisão de permanecer na região onde morava no Espírito Santo, ele continuou próximo da noiva — eles se conheceram em uma das empresas onde trabalhou, pois a esposa também atua em ambientes industriais.

Persistência, trabalho duro e situações inusitadas

Ele desabafa que o trabalho com manutenção era bem mais duro antigamente e que já tinha chegado a passar 48 horas direto dentro da empresa. Para ele, felizmente o respeito ao indivíduo cresceu muito com os anos.

 Trabalho duro é diferente de trabalho sério.

Vitor reforça a ideia de que trabalhar duro é diferente de trabalhar sério porque às vezes as pessoas trabalham duro sem ser eficientes ou sem parar para pensar no que estão fazendo. Ele também defende que é necessário ter foco e persistência para chegar onde quer, independente de quanto tempo isso possa levar.

Vitor borba e sua equipe

Entre os desafios que enfrentou na Arcelor, comenta que os engenheiros de lá eram divididos por assuntos/áreas para que pudessem focar em uma atividade específica e ele foi escolhido para assumir uma área difícil: a de cuidar das paradas dos equipamentos. Às vezes, as paradas demoravam bastante tempo para serem resolvidas, mas ele nunca deixava essa dificuldade atrapalhar sua motivação de fazer um trabalho bem feito.

Nosso herói também relata que, durante sua trajetória profissional, já viu muitas sabotagens de colegas de trabalho. Ele disse que descobriu um colega que desconectava um cabo de computador da estação de engenharia às sextas-feiras para que o sistema contabilizasse horas de trabalho aos finais de semana. Vitor pegou-o no flagra, deu um ultimato e, depois disso, o colega melhorou a postura. “Em manutenção, você tem que ser desconfiado. Já vi de tudo. Quando a pessoa fala que já fez o trabalho, ainda é bom dar uma conferida”. Apesar de ter presenciado atos assim, ele defende com bom humor que as pessoas “tomam jeito” e revela que esse colega hoje em dia assume um cargo de liderança na empresa.

O herói nos bastidores

Fora do ambiente de trabalho, Vitor dá palestras, é síndico do prédio, pedreiro nas reformas da casa da sogra, pintor, faz de tudo! Atualmente, tem assistido vídeos para aprender a tocar violino, porque ele tem um perfil bem autodidata. “É só ter paciência!”, conta.

Sou muito brincalhão! A vida é difícil, acordo de madrugada, mas o bom humor sempre ajudou bastante a manter o bom clima e a transparência entre as pessoas com quem convivo.