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Manutenção Preditiva não é mais privilégio apenas de Grandes Indústrias

Foi-se o tempo em que a manutenção preditiva era um privilégio apenas de grandes indústrias. Em meio ao surgimento de novas tecnologias, as quais permitem o barateamento da análise preditiva, as empresas que decidirem esperar para implementar soluções novas de manutenção podem ser deixadas para trás pelos concorrentes. Sobre esse assunto, trazemos uma análise sobre como a barreira financeira deixou de existir para a manutenção preditiva e como empresas pequenas e médias podem se adequar ao novo cenário.

A barreira financeira

Grandes indústrias nunca têm dificuldades para trabalhar com as soluções mais avançadas do mercado. Na área de manutenção, elas já fazem o acompanhamento de vibração de rolamentos e redutores e arcam com kits de manutenção completos. O cenário é bem diferente, porém, nas empresas menores. Por exemplo, o valor de um kit de vibração + medidor de óleo + medidor de partículas + acelerômetros + software pode chegar a atingir entre R$300mil e R$500mil, um valor inimaginável dentro da realidade de indústrias pequenas. Mesmo nas grandes empresas, existem ferramentas ainda comumente não utilizadas na análise da manutenção, como é o caso das redes neurais, mas existem especialistas em vibração que interpretam os dados, ainda que muito difícil de fazer uma correlação com dados de quebras passadas “na mão”.

Atualmente, novas empresas e startups estão surgindo e possibilitando uma diminuição drástica nos custos associados à manutenção preditiva. Em alguns casos, o monitoramento contínuo de um ativo chega a ser apenas R$100 por mês. A inovação está associada ao uso de inteligência artificial e IoT somados ao modelo de mensalidade e de baixa fricção — se o cliente não quiser mais utilizar os sensores nem a plataforma de acompanhamento dos ativos, é possível devolver os sensores e cessar o pagamento da mensalidade. Esse novo modelo de negócio tem aumentado a praticidade para indústrias menores, que não precisam contratar especialistas em vibração para ter a manutenção preditiva, e diminuído os custos e o tempo de implementação.

A falta de planejamento de manutenção em pequenas indústrias

Frequentemente, indústrias menores não possuem uma equipe específica responsável somente pelo acompanhamento da saúde dos ativos. Ou seja, por vezes os equipamentos são reparados somente no momento de quebra, gerando muitos custos desnecessários e atrasos na produção. Uma prática já existente nesses casos para suprir a falta de equipe é o serviço de empresas de engenharia de manutenção. O serviço foca em categorizar os ativos de acordo com a criticidade deles para o negócio, criar um planejamento e estratégias de manutenção preventiva, ajudar a lidar com a falta de tecnologias up-to-date, criar planos de lubrificação, acompanhar a produtividade, etc. Mesmo assim, porém, esse serviço ainda carece de mais opções de manutenção preditiva.

Classificação ABC

Como, então, as indústrias de pequeno e médio porte podem se adaptar ao cenário em que as tecnologias agora permitem um acompanhamento contínuo de seus equipamentos?

Primeiro, deve haver uma análise dos ativos com base em cinco fatores: segurança, confiabilidade, qualidade, frequência e custo. Assim, é possível classificar seus ativos em 3 categorias para definir as prioridades na manutenção de equipamentos. De forma geral, as categorias são:

  • Classe A (criticidade máxima): Máquinas que não podem quebrar de jeito nenhum, pois são essenciais para as atividades da empresa. Nesses casos, é extremamente benéfico ter a análise preditiva.
  • Classe B (criticidade média): Máquinas que, se quebram, ainda geram transtorno, mas tal transtorno é contornável. Ao se fazer uma comparação entre os custos advindos de uma quebra inesperada de um equipamento classe B e os custos envolvidos no acompanhamento preditivo, conclui-se que ainda é benéfico fazer a análise preditiva nessa classe de ativos.
  • Classe C (criticidade baixa): Máquinas que, por não serem muito caras ou por não influenciarem muito na rotina de produção, não necessitam de manutenção preditiva. O mais comum é realizarem uma preventiva e, em alguns casos, nem incluir nos planejamentos de manutenção. Para essa classe, geralmente existem equipamentos reservas à disposição e a manutenção não é muito custosa.

Com a classificação realizada, faz sentido começar a implementação de manutenção preditiva ao menos nos equipamentos de classe A. Entender como fazer um plano de manutenção pode ser a diferença entre obter lucro ou prejuízo nas contas do fim do mês. A análise preditiva para as empresas médias e pequenas ocorre nesse cenário em que muitas nem sabem que possuem essa “dor” quanto à manutenção e não percebem que perdem dinheiro onde não deveriam.

Em suma, as novas tecnologias tornam o investimento em manutenção preditiva algo muito interessante para empresas menores. Os próximos passos para empresas que ainda não dão a devida atenção a essa área é categorizar os ativos pelo nível de criticidade e começar a adotar soluções que ajudem a monitorar a saúde dos ativos que são mais importantes para que as operações dentro da fábrica não parem.