PENSAMENTO LEAN NA INDÚSTRIA 4.0, NÃO AUTOMATIZE O CAOS

Uma vez que a eficácia na integração entre processos e informações, tem como premissa, a eliminação dos desperdícios, o conceito de Indústria 4.0 apresenta como base o Pensamento Lean ou enxuto. Vamos conversar mais a respeito?

O Lean se desenvolveu com o objetivo de evitar, ao máximo, os tempos gastos com espera, transporte, movimentação desnecessária, estoques em excesso, processamento inadequado, correção de defeitos,  entre outros fatores que acabam impedindo a fluidez da produção. É uma filosofia de gestão que tem como princípio fazer com que as tarefas sejam executadas da forma mais rápida e com o menor de desperdício possível.

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Isso implica em repensar a maneira como se lidera, gerencia e desenvolve pessoas. Organizações de praticamente todos os setores têm usado a gestão lean como meio fundamental para transformar realidades gerenciais e melhor aproveitar o potencial humano. É buscar criar um fluxo de trabalho estável com base na demanda real dos clientes, garantindo que todos os funcionários estejam envolvidos no processo de melhoria.

Muitos empresários e gestores acreditam que investir na “tecnologia 4.0” sem melhorar a gestão do negócio, vai resolver todos os problemas. A indústria 4.0 não vai melhorar a qualidade ou aumentar o ROI e reduzir custos da organização com uma gestão medíocre, pois adicionar uma máscara de tecnologia em um processo ineficiente e numa indústria com clima organizacional ruim, não vai torná-lo produtivo e melhor. Os gestores que buscam otimizar suas operações precisam entender a interação entre o gerenciamento Lean e a Indústria 4.0.

Lean e Indústria 4.0

As indústrias que implantaram com sucesso o pensamento Lean na Indústria 4.0 conseguiram reduzir os custos em até 40% em cinco a dez anos. Porque essa aplicação, também chamada de Lean Industry 4.0, permite que as indústrias se organizem internamente e revejam seus índices de produtividade e desempenho para posteriormente investir em automação.  Quer saber mais sobre essa eficaz correlação? Veja abaixo!

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Transições mais flexíveis 

Os gestores muitas vezes procuram operações flexíveis que lhes permitam usar uma linha de produção para fabricar vários produtos, porém são necessárias trocas demoradas para preparar máquinas para fabricar produtos diferentes. Ao implementar ferramentas enxutas, como SMED, os fabricantes podem remover atividades que não agregam valor da mudança, acelerando significativamente o processo.

As tecnologias da Indústria 4.0 suportam esses esforços. Novos sensores e softwares possibilitam que as máquinas identifiquem automaticamente os produtos e carreguem o programa e as ferramentas apropriadas sem intervenção manual. Como a mudança é automatizada, os operadores podem se concentrar em realizar atividades de agregação de valor.

Algoritmos preditivos

Em muitas indústrias de manufatura, falhas de equipamentos e gargalos de produção levam a altos níveis de estoque e baixa produtividade. As organizações podem usar métodos enxutos, como manutenção autônoma ou preventiva, para aumentar a eficácia geral do equipamento.

Os gestores estão aproveitando ao máximo esses métodos Lean usando algoritmos analíticos avançados e técnicas de IA para analisar as enormes quantidades de dados coletados pelos sensores. A saída identifica potenciais quebras antes que elas ocorram. Essas percepções preditivas preparam os operadores para realizar a manutenção autônoma no tempo ideal.

Velocidade no gerenciamento da produção

A complexidade do planejamento de produção alinhada ao aumento do número de variantes de produtos e da redução do tamanho dos lotes, são grandes desafios para a indústria. Os operadores usam o gerenciamento de chão de fábrica e outras rotinas diárias – elementos essenciais do gerenciamento Lean – para reagir diariamente a desvios na produção, identificar problemas e atualizar os funcionários sobre as mudanças necessárias nos planos de produção.

Ao aplicar certos algoritmos e associá-los a uma cadeia de valor integrada e a torres de controle e coleta de dados, os gestores podem gerenciar a produção em tempo real, encurtando os tempos de reação e gerando respostas automáticas.

Controles de qualidade automáticos

A capacidade de produção é desperdiçada se os produtos não atenderem às especificações. Certas ferramentas Lean realizam auto-inspeções que melhoram o processo de fornecer feedback aos engenheiros e operadores, acelerando a detecção de erros e reduzindo o número de defeitos em 50% a 70%. No entanto, para chegar perto da anulação de defeitos, os gestores devem oferecer suporte a auto-inspeções usando uma abordagem de análise orientada por dados para identificar as causas-raiz dos erros.

As tecnologias da Indústria 4.0 permitem esse suporte ao fornecer dados de contexto confiáveis ​​e a capacidade de realizar rastreamento detalhado.

CAOS 4.0

Acreditar que a tecnologia 4.0 vai aumentar o faturamento e salvar a indústria pode ser um fator de preocupação. Muitas vezes o “caos 4.0” é estabelecido quando indústrias possuem proprietários e gestores que resistem a mudanças necessárias, por possuírem apenas foco no faturamento. O que gera um péssimo clima organizacional, um elevado absenteísmo e turnover.

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Os rumores da quarta revolução industrial se espalharam rapidamente, o que levou o termo indústria 4.0 para quase todas as discussões e estratégias gerenciais. O problema é que ao tentar se adequar com as novas tecnologias e iniciativas adjacentes, muitas indústrias acabaram implementando uma verdadeira “automação do caos”, porque não estavam preparadas a repentina transformação. Não adianta automatizar ou analisar dados sem objetivos claros durante o processo. Porque as tecnologias 4.0 apenas serão eficazes se a cultura organizacional e a infraestrutura da indústria estejam adequadas para tal desenvolvimento. 

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