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8 Indicadores de Manutenção Indispensáveis: MTBF, MTTR e Mais

Atualizado em 27 mai. de 2026

11 min.

Medir desempenho na manutenção sempre foi uma necessidade. Afinal, o que não se mede não se gerencia.

Ou seja, sem indicadores claros, gestores operam no escuro, sem saber onde estão perdendo disponibilidade, quais ativos consomem mais esforço, onde a equipe está sobrecarregada ou quais intervenções realmente fazem diferença. Mesmo assim, muitas operações ainda acompanham métricas demais ou métricas que não refletem o que acontece no chão de fábrica.

A questão central não é medir tudo, mas medir o que importa. Indicadores bem escolhidos revelam gargalos, orientam tomadas de decisão e conectam o comportamento dos ativos ao impacto operacional. Indicadores mal escolhidos, por outro lado, só adicionam ruído e desviam a atenção de problemas críticos.

Para ajudar você a priorizar o que realmente influencia disponibilidade, custo e confiabilidade, selecionamos os 8 indicadores essenciais para qualquer gestão de manutenção que opera sob pressão de performance.

MTBF, MTTR e outros indicadores de manutenção indispensáveis:

  1. MTBF: Tempo médio entre falhas;
  2. MTTR: Tempo médio para reparo;
  3. Disponibilidade;
  4. Confiabilidade;
  5. Backlog;
  6. CMF: Custo de Manutenção sobre Faturamento;
  7. CPMV: Custo de manutenção sobre valor de reposição;
  8. Distribuição por tipos de manutenção.

MTBF e MTTR: como analisar esses indicadores de manutenção?

A seguir, saiba mais sobre as funções de cada um, suas diferenças e por que são indispensáveis.

Veja também:

1. MTBF:  Mean Time Between Failures

O MTBF ou tempo médio entre falhas é um dos indicadores mais importantes para o setor de manutenção. Ele é necessário para medir o tempo total de bom funcionamento médio entre as falhas de um equipamento reparável, sendo uma ótima forma de mensurar a confiabilidade da máquina.

Calculo MTBF:  Mean Time Between Failures
Calculo MTBF: Mean Time Between Failures

A maneira mais eficiente de administrar esse indicador é aplicando-o em cada equipamento. Essa aplicação individual das ações facilita o processo, já que considera os diferentes ciclos de vida dos equipamentos.

Para exemplificar, imagine que durante um determinado período o motor elétrico de uma fábrica operou 140 horas até falhar, depois mais 190 horas e, por fim, outras 215 horas. Nesse caso, o MTBF será:

Exemplo de calculo MTBF:  Mean Time Between Failures

Uma vez identificado o tempo médio de uma falha a outra, conseguimos definir a frequência com que devemos realizar nossas atividades de manutenção preventiva e inspeções dentro do PCM (Planejamento e Controle de Manutenção).

O recomendado é calcular 70% do tempo médio de falhas para realizar essa inspeção. Ou seja, se o motor elétrico apresenta um MTBF de 181,6 horas, a cada 127,1 horas (181,6 x 0,7) deve-se realizar a inspeção no equipamento.

Logicamente, quanto maior o MTBF, melhor, já que os equipamentos estão demorando mais para falharem, ou seja, você alcançou uma frequência menor de quebras.

Veja um guia prático para medir seus indicadores aqui.

Principais erros cometidos no cálculo do MTBF

  1. Somar o MTBF de todos os equipamentos para encontrar a média global;
  2. Calcular o MTBF em equipamentos irreparáveis;
  3. Zerar o MTBF a cada mês (é preciso somá-lo).

Atualmente, existem alguns softwares de manutenção preditiva que conseguem, através da análise de vibração e temperatura dos equipamentos, estimar quando acontecerá a próxima quebra e criar automaticamente ordens de serviço para resolver o problema. Dessa forma, a análise deixa de ser manual e em planilhas e passa ser online e em tempo real. Isso aumenta consideravelmente a acurácia dos

2. MTTR:  Mean Time To Repair

Esse indicador está muito associado à mantenabilidade, ou seja, a facilidade que uma equipe de manutenção encontra em fazer um equipamento voltar a executar suas funções após uma falha. Em outras palavras, o MTTR indica o tempo médio para reparo. 

Calculo MTTR:  Mean Time To Repair

Ao contrário do MTBF, quanto menor o MTTR, melhor, portanto devemos trabalhar para mantê-lo baixo.

Adicionando-o ao exemplo do motor elétrico, suponha que, durante o mesmo período, a equipe de manutenção levou as quantidades de horas listadas abaixo para colocar o motor elétrico de volta à operação após cada uma das falhas:

  • Falha 1: 9 horas de reparo
  • Falha 2: 15 horas de reparo
  • Falha 3: 12 horas de reparo

Nesse caso, o MTTR será:

Exemplo de calculo MTTR:  Mean Time To Repair

Com isso, conseguimos mensurar qual é o lucro cessante - o quanto a empresa deixa de ganhar quando esse ativo quebra. Se considerarmos que tal máquina gera R$ 5.000 por hora, o prejuízo da empresa com a falha dela ficará por volta de R$ 60 mil (5.000 x 12).

Principal erro cometido no cálculo do MTTR

  • Estabelecer um referencial para o MTTR. Isso não existe e, ao exigir que as equipes de manutenção mantenham um valor ideal baixo de MTTR, a chance é grande de induzi-las ao erro.

Muito melhor do que manter o MTTR baixo é evitar as quebras. O gestor de manutenção deve incentivar suas equipes a utilizar técnicas de manutenção preditiva e sensitiva que avaliam a condição de saúde das máquinas, identificando os “sintomas” em tempo real para que o ativo não perca sua performance a ponto de chegar em uma situação crítica de quebra.

Veja também:

3. Disponibilidade

Diferença entre disponibilidade e confiabilidade

Disponibilidade refere-se à capacidade de um item de estar em condições de executar uma certa função em um dado instante ou durante um intervalo de tempo determinado.

Confiabilidade é a probabilidade de um item desempenhar sua função especificada no projeto de acordo com as condições de operação e durante um intervalo específico de tempo.

O significado é parecido, não? Para que as diferenças fiquem claras, vamos exemplificar.

A disponibilidade de um equipamento é a porcentagem no qual esse ativo se manteve disponível em um determinado período. Já a confiabilidade será a probabilidade de um equipamento se manter disponível em um período futuro.

Prefere as fórmulas? Confira:

Esses dois indicadores são fundamentais para o Planejamento e Controle da Manutenção, já que o objetivo principal do PCM é garantir e elevar a disponibilidade e confiabilidade dos ativos, otimizando a produtividade da indústria. Por isso resolvemos colocá-los juntos.

Ambos são determinados a partir do MTBF e do MTTR. Mas, antes de calculá-los, vamos entender o significado de cada um segundo a norma NBR 5462.

Fórmula do cálculo de disponibilidade
Fórmula do cálculo de disponibilidade

Ou seja, se usarmos o exemplo do motor elétrico (MTBF = 181,6 e MTTR = 12), a disponibilidade inerente do equipamento foi de 93,8%. Isso quer dizer que, naquele período, o motor operou normalmente cerca de 93,8% do tempo em que ficou ligado. Padrões de classe mundial determinam que uma boa disponibilidade é aquela acima de 90%. Portanto, o equipamento está dentro dos padrões globais.

4. Confiabilidade

E se quiséssemos calcular a probabilidade de o motor funcionar em perfeito estado durante a próxima semana? Nesse caso, usamos o cálculo da confiabilidade:

Fórmula do cálculo de confiabilidade
Fórmula do cálculo de confiabilidade

Se aplicarmos a fórmula para o motor elétrico (MTBF = 181,6), conseguimos saber que, para os próximos 7 dias (168 horas), a confiabilidade desse equipamento - isto é, a probabilidade de ele operar normalmente sem falhar- será de 39,69%. Veja abaixo:

Formula para motor elétrico de operar sem falhar

Principal erro cometido no cálculo da confiabilidade

  • Indicar a confiabilidade sem atrelá-la a um período de tempo.

ERRADO: A confiabilidade dessa centrífuga é de 85,4% - qual é o período?

CERTO: A confiabilidade dessa centrífuga é de 85,4% nas próximas 400 horas.

  • Usar a fórmula para equipamentos irreparáveis. Para tais itens, deve-se utilizar a Análise Weibull.

5. Backlog

O backlog pode ser entendido como o tempo de mão de obra necessário para realizar todos os serviços atuais, ou seja, o acúmulo de atividades pendentes. Logo, tal indicador demonstra a relação entre a demanda de serviços e a capacidade de atendê-los.

Podemos entender o backlog como uma carteira de serviço oriunda das atividades de manutenção. Em outras palavras, é a soma da carga horária dos serviços planejados, programados, executados e pendentes do setor.

Por ser um indicador de tempo, deve ser calculado em minutos, horas, dias, semanas, meses, etc. Confira a fórmula:

Backlog = Total de Horas (HH) das Ordens de Serviço (OS) Pendentes ÷ Horas-Homem (HH) Disponíveis por Período

O gráfico de backlog também é de grande importância para decisões gerenciais. Ao todo, há basicamente seis tipos de curvas. Considere o eixo vertical como sendo valores de backlog e o eixo horizontal como os meses do ano:

Curva do Backlog
  • Curva A: estável. Exige análise para checar se está em um valor aceitável para a tomada de decisão;
  • Curva B: decréscimo da demanda de serviço. Pode gerar pessoal ocioso devido à queda de atividades;
  • Curva C: backlog com tendência de alta constante, o que pode gerar problemas como baixa qualidade da manutenção;
  • Curva D: subida brusca. Pode ocorrer quando há corretivas com tempo de execução muito alto;
  • Curva E: queda brusca. Nesse caso, pode ter ocorrido contração de serviços externos, mobilização interna para redução, entre outros;
  • Curva F: Oscilação. Costuma ser justificável em indústrias que tenham forte característica de sazonalidade, como por exemplo ligadas a agricultura.

Principal erro cometido:

  • Associar o backlog a “atividades em atraso”. Esse é um erro comum quando utilizamos o indicador, por isso, é importante lembrar que ele engloba muito mais do que os atrasos e se refere a todas as atividades que precisam ser feitas, desde as urgentes até as cotidianas.

6. CMF: Custo de Manutenção sobre Faturamento

Indicadores ligados aos custos são excelentes evidenciadores do efeito da manutenção no desempenho da empresa, o que os tornam uma arma feroz para a diretoria. Com eles, é possível identificar se o setor de manutenção está fazendo uma boa administração financeira dos recursos.

O custo de manutenção engloba todas as despesas com:

  • Pessoal;
  • Materiais;
  • Contratação de serviços externos;
  • Depreciação;
  • Perda de faturamento.

Um dos grandes motivos desse destaque é que o custo da manutenção pode impactar diretamente na precificação do produto. Logo, se a empresa gasta muito com manutenção, o preço do produto será mais alto e ela perderá  competitividade em comparação com seus concorrentes.

O indicador que melhor trabalha com esse cenário é o CMF, justamente por ser uma comparação direta entre o faturamento e o custo da manutenção. Observe a fórmula:

CMF: Custo de Manutenção sobre Faturamento

Imagine que uma determinada indústria têxtil teve um gasto total de R$1 milhão com manutenção no último ano. No mesmo período, o faturamento bruto da empresa foi de R$25 milhões. Portanto, o CMF é de 4%. Mas como saber se isso é bom ou ruim?

Depois de calculado, o melhor a se fazer é compará-lo com a média do segmento em que sua empresa atua. Nesse caso, a média do CMF para a indústria têxtil é de 1%, o que indica que a empresa analisada no exemplo gastou 4 vezes mais do que a média do segmento. No entanto, a mesma empresa está na média das brasileiras em geral, já que, segundo a ABRAMAN, em média 4% do faturamento das empresas no Brasil é empregado em manutenção.

7. CPMV: Custo de manutenção sobre valor de reposição

Outro indicador financeiro importante é o CPMV, porque é uma maneira de analisar o custo de manutenção empregado em cada equipamento e identificar se seria mais vantajoso manter o ativo ou comprar um novo. A recomendação é que esse indicador seja utilizado para equipamentos de alta criticidade

O cálculo é simples, mas antes vamos entender o que é a sigla ERV (Estimated Replace Value). O Valor Estimado de Troca, como o próprio nome já entrega, é a quantidade de capital que será preciso investir para comprar um novo equipamento. Assim, a fórmula do CPMV é a seguinte:

Cálculo: ERV (Estimated Replace Value)

Para exemplificar, pense que foram gastos R$4.000 com a manutenção de uma ponte rolante, enquanto o valor de uma nova seria R$190.000. Logo, o CPMV é de 2,1%.

O valor máximo aceitável para esse indicador é 6% num período de um ano. No entanto, o limite pode depender da análise do equipamento - em alguns casos, 2.5% já é o bastante. Se encontrarmos um número maior, significa que será mais vantajoso comprar um novo equipamento do que continuar mantendo o antigo.

Uma forma mais eficaz de reduzir os gastos com manutenção é mudar a dinâmica do “quebra, conserta”, ou seja, tentar reduzir ao máximo o número de manutenções corretivas e usar o poder dos dados para prever as falhas antes que elas aconteçam. Isso porque o gasto para manter um plano de manutenção preditiva é infinitamente menor do que o custo para reparar o equipamento e colocá-lo de volta em funcionamento.

8. Distribuição por tipos de manutenção

Esse indicador revela o percentual da aplicação de cada tipo de manutenção que está sendo desenvolvido.

Evidentemente, o tipo de instalação ou equipamento pode determinar variações desses valores para mais ou menos. De modo geral, o gestor de manutenção deve manter as práticas corretivas não planejadas em até 20%, sendo sempre bom restringi-las ao máximo. As outras práticas não possuem um limite próximo: no Brasil, a manutenção preventiva costuma oscilar entre 30% e 40%. Em padrões de confiabilidade global, as empresas sempre mantêm a manutenção preditiva com a maior porcentagem na distribuição.

Distribuição por tipos de manutenção

O papel da IA na coleta e interpretação dos indicadores

Calcular MTBF, MTTR, disponibilidade e backlog em planilha é viável, mas é uma operação de fim de mês. O dado consolidado chega depois que a decisão já precisava ter sido tomada. Plataformas de manutenção preditiva com IA mudam essa equação em duas pontas.

Na coleta, o sensor instalado no ativo registra cada parada, cada retomada, cada intervenção. O MTBF deixa de depender de quem lembrou de anotar e passa a ser calculado em tempo real, ativo por ativo. O MTTR é cronometrado entre o disparo do alerta e o registro de conclusão da OS, sem buracos. A confiabilidade do indicador sobe porque o dado de entrada é máquina, não memória de turno.

Na interpretação, a IA correlaciona indicadores que isoladamente parecem ruído. Um MTBF que cai 15% em um trimestre, combinado com aumento de retrabalho em corretivas, normalmente indica problema de causa raiz não tratada, e não falha aleatória.

Esse tipo de leitura cruzada em escala, com centenas de ativos e milhares de ordens de serviço, é o que justifica a camada de IA sobre o indicador bruto. O ganho não está em gerar o número mais rápido, mas em entender o que ele está dizendo antes que o gestor precise procurar.

Como a Tractian conecta indicadores de manutenção à decisão do dia a dia

A solução de monitoramento de condição da Tractian foi desenhada para fechar a lacuna entre o dado bruto do ativo e o indicador que orienta a decisão. Cada parada, cada alerta, cada OS executada alimenta o cálculo do MTBF, do MTTR e da disponibilidade automaticamente, no mesmo ambiente onde a equipe gerencia preventivas, corretivas e paradas programadas.

O sensor combina vibração triaxial em alta resolução, ultrassom contínuo, magnetômetro e temperatura no mesmo dispositivo. Em vez de o gestor reconstruir a história do ativo na planilha do mês seguinte, o histórico é construído em tempo real, ponto a ponto. A confiabilidade do MTBF deixa de ser limitada pela memória de turno e passa a ser limitada apenas pela precisão do sensor.

Na camada da plataforma, a IA treinada no AI Center da Tractian cruza os indicadores para entregar leitura acionável. Quando o MTBF de um ativo cai e o backlog sobe junto, o gestor recebe o alerta de causa raiz provável antes de precisar abrir três relatórios diferentes para chegar à mesma conclusão. Em operação com centenas de ativos, essa correlação automática é o que separa quem usa indicador para reagir de quem usa indicador para antecipar.

Se a sua operação ainda fecha MTBF, MTTR e disponibilidade no Excel, está na hora de testar o que muda quando esses indicadores chegam prontos para a tomada de decisão.

Clique aqui e agende uma demonstração com um especialista da Tractian.

Cofundador da Tractian e Engenheiro de Computação pela USP, Gabriel Lameirinhas aplica sua expertise em manutenção preditiva para criar tecnologias que impulsionam a confiabilidade operacional. Com formação na Universidade da Califórnia, Berkeley, Gabriel capacita equipes a superarem desafios técnicos com soluções inovadoras baseadas em tecnologia de ponta.

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