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TMD26: Veja como foi o maior encontro de líderes industriais da América Latina

Tractian

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Editorial

Atualizado em 23 out. de 2026

20 min.

O Tractian Maintenance Day (TMD) existe para que possamos reunir os maiores líderes e gestores industriais em um só lugar, focando as conversas, as palestras e as mesas redondas em tudo aquilo que pode contribuir para uma manutenção industrial mais eficiente e holística no Brasil e no mundo.

É com esse intuito que o evento acontece ano a ano, dando espaço para que clientes e outros interessados em soluções tecnológicas dentro do universo da manutenção se reúnam e troquem experiências — o que tem funcionado, o que precisa mudar e como implementar essas novas tecnologias.

Em 2026, o TMD colocou os holofotes sobre aquilo que vai definir o próximo ciclo da manutenção industrial no Brasil. Seja em palestras, em mesas redondas, ou até em conversas durante os intervalos, uma coisa ficou clara: o monitoramento preditivo não cabe mais em um único sinal.

Essa é a tese que a Tractian trouxe para abrir o dia, e a partir dela a programação se dividiu em duas trilhas simultâneas na parte da tarde. No palco 1, o tema era Intelligence & Innovation, voltando-se mais para tecnologia e casos aplicados. No palco 2, The Business of Reliability, com foco em pessoas, processo e governança, servindo como aprofundamento técnico principalmente para quem já é cliente. 

Mais de 500 líderes industriais circularam entre elas até o fim da tarde na Avenida Paulista.

Este é o compilado do que aconteceu: cada palestra que aconteceu no TMD26 (todas serão disponibilizadas online), um passeio pelas demo stations e a lista de vencedores do Tractian Awards, a tradicional premiação industrial.

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O fio condutor do dia: Monitoramento Multimodal

Antes de entrar nas apresentações, vale explicar o que amarrou o palco 1 do começo ao fim.

A tese do monitoramento multimodal parte de uma ideia simples: nenhuma técnica isolada dá conta de diagnosticar um ativo complexo por inteiro. 

A vibração sozinha confunde falha com aumento de carga, a temperatura avisa tarde demais, o ultrassom captura o atrito cedo mas não distingue um defeito de rolamento de um vazamento. A proposta do monitoramento multimodal é cruzar essas três camadas (mecânica, elétrica e operacional) no mesmo ponto físico, no mesmo instante, e combiná-las com o conhecimento humano acumulado sobre aquela máquina.

E foi a partir desse fio condutor que o Palco 1 do TMD construiu sua programação.

Palco 1 – Intelligence & Innovation

1. Boas-vindas e Tractian Keynote

Quem abriu o dia foi Alex Vedan, Sócio e Diretor de Marketing da Tractian, apresentando a dinâmica do evento, o aplicativo do TMD e as duas trilhas de conteúdo.

Logo em seguida, Igor Marinelli, CEO da Tractian, subiu ao palco para seu keynote. 

Igor Marinelli, CEO e Co-Fundador da Tractian.
Igor Marinelli, CEO e Co-Fundador da Tractian.

Em cerca de 25 minutos, ele apresentou a direção da Tractian para os próximos anos, o posicionamento da empresa como plataforma aberta de monitoramento multimodal, os investimentos em infraestrutura e no AI Center, além dos números agregados da base: milhões de inferências por dia, mais de 3.500 plantas monitoradas e um mercado estimado em US$ 1,4 trilhão por ano em downtime nas 500 maiores indústrias globais.

2. Monitoramento Multimodal: O Futuro da Proteção de Ativos

JP Voltani, CTO da Tractian
JP Voltani, CTO da Tractian

Em seguida, JP Voltani, CTO da Tractian, abriu a parte técnica. Entre as novidades que apresentou, uma chamou a atenção da plateia: o Tractian Janus, primeiro modelo de linguagem industrial treinado inteiramente pela Tractian com dados proprietários acumulados ao longo de oito anos de operação. 

O Janus já roda por baixo dos panos da plataforma, gerando os insights que os clientes recebem hoje.

A palestra percorreu as três camadas do multimodal (mecânica, elétrica e operacional) e detalhou o novo monitoramento elétrico contínuo de inversores, barramentos e cargas. Também mostrou features novas que já estão disponíveis no produto, como as rotas de lubrificação por demanda, as anotações no analytics, a memória do ativo e os agentes industriais capazes de rodar seis horas contínuas investigando falhas.

A vanguarda que nós temos sobre os outros modelos é algo que só continua a crescer.
JP Voltani JP Voltani CTO Tractian

3. Como Líderes Industriais Transformam Dados em Estratégia

Como Líderes Industriais Transformam Dados em Estratégia

Fechando a manhã, Leonardo Vieira, CCO da Tractian, moderou um painel com dois executivos industriais: Ricardo Congro, COO da Unipar, e Alessandro Alves, CEO da Thyssenkrupp Springs & Stabilizers.

A conversa partiu de uma provocação simples: a manutenção sempre foi vista como centro de custo, mas os dois executivos lideram operações onde ela virou pauta estratégica. 

Alessandro contou como a Thyssenkrupp saiu de 75% para 85% de disponibilidade técnica em dois anos, com payback de menos de um mês no caso do primeiro equipamento com sensor. Antes, esse shot peening que antes quebrava sem predição e levava mais de oito horas para ser substituído. 

Ricardo trouxe o caso da Unipar, com cerca de 400 sensores em 140 equipamentos nas três fábricas brasileiras, com 180 horas de downtime evitadas e payback de quatro meses.

É incrível como alguns gestores industriais ou alguns CEOs ainda ignoram o efeito da manutenção dentro de uma operação.
Alessandro Alves Alessandro Alves CEO Thyssenkrupp Springs & Stabilizers

4. Estudo de Caso: A Jornada de Monitoramento da CMPC

Estudo de Caso: A Jornada de Monitoramento da CMPC
Estudo de Caso: A Jornada de Monitoramento da CMPC

Abrindo a tarde, João Gonçalves, consultor da CMPC, e Laysa Mello, Gerente de Produtividade Digital e Transformação da Manutenção da CMPC, apresentaram a jornada da empresa de celulose: do piloto com 154 sensores em Guaíba, no Rio Grande do Sul, aos mais de 4.000 sensores distribuídos em quatro plantas no Brasil e no Chile, em menos de dois anos.

Mais do que os números impressionantes de 350 pessoas capacitadas em dois meses, 261 falhas identificadas, 55 com retorno financeiro comprovado e 76 mil toneladas de celulose preservadas em 2025, o case mostrou como a confiabilidade deixou de ser responsabilidade de uma área isolada. 

Em vez disso, passou a envolver operação, manutenção, inspetores e liderança numa governança compartilhada em três níveis.

A tecnologia é possível de escalar rápido. Mas são pessoas e processos que vão definir essa velocidade.
Laysa Mello Laysa Mello Gerente de Produtividade Digital e Transformação da Manutenção CMPC

5. Multimodal Aplicado: Os Resultados de Combinar Múltiplos Sinais

Gabriel Lameirinhas, COO da Tractian
Gabriel Lameirinhas, COO da Tractian

Em seguida, Gabriel Lameirinhas, COO da Tractian, trouxe quatro casos práticos de monitoramento multimodal em diferentes setores. 

Em uma fabricante de geradores, isolar as etapas de desbaste e acabamento com o sinal elétrico permitiu detectar o desgaste prematuro do rebolo antes que ele comprometesse peças finalizadas. 

Na McKesson, nos Estados Unidos, modelar os ciclos variáveis de aceleração e frenagem de um elevador de carga evitou quase 12 horas de parada e cerca de US$ 4 milhões em mercadoria. 

Na Alcon, maior fabricante de colírios do mundo, o uso dos modelos de IA para decifrar uma máquina de alta complexidade em um dia (contra semanas de consultoria) eliminou o downtime que estava limitando a velocidade da linha. E, na Coca-Cola Andina, o multimodal foi implementado na linha que produz o maior volume de Coca-Cola do mundo.

A gente já tem mais dados e já sabe mais de como essas máquinas operam do que os próprios fabricantes.
Gabriel Lameirinhas Gabriel Lameirinhas COO Tractian

6. Tecnologia Aplicada: Escalando IA com Governança e Controle

Tecnologia Aplicada: Escalando IA com Governança e Controle
Tecnologia Aplicada: Escalando IA com Governança e Controle

Depois de uma pausa do público para o café, Lucas Fernandes, VP of Solutions Engineering da Tractian, moderou uma mesa-redonda com Francisco Massaro, Diretor de Manufatura e Coordenador do MBA em Liderança de IA da FIAP, e Aristóteles Neto, Head de Transformação Industrial da Vivix. 

A conversa foi sobre o desafio que mais trava projetos de IA na indústria hoje: a distância entre piloto e escala. 

Massaro trouxe exemplos da jornada da PepsiCo e da FIAP sobre como governança e mudanças de gestão decidem o destino do projeto. Depois, Aristóteles contou a estratégia da Vivix, que montou um escritório de valor, estruturou uma fundação de dados e saiu de 0% para 85% de processos digitalizados em cinco anos. 

Os dois convergiram em um ponto: a manutenção, dentro da indústria, é o melhor território para começar.

A manutenção é o prato cheio da transformação.
Aristóteles Neto Aristóteles Neto Head de Transformação Industrial Vivix

7. Pressão por Resultado: Como Líderes Estão Escolhendo Onde Apostar em Tecnologia

Lucas Fernandes, VP of Solutions Engineering da Tractian
Lucas Fernandes, VP of Solutions Engineering da Tractian

Fechando o palco 1 antes do Awards, Lucas Fernandes voltou sozinho para a palestra que amarrou o dia pelo ângulo executivo. Partindo de dados da Gartner, que mostra que 84% dos CEOs de manufatura estão investindo em IA, mas apenas 18% reportam retorno satisfatório, Lucas apresentou a matriz que a instituição desenhou para priorizar onde a IA de fato gera valor na indústria. 

No topo dessa matriz, com alta viabilidade de implementação e alto impacto financeiro, aparece justamente a manutenção preditiva assistida por IA.

A palestra fechou com três mensagens sobre os benefícios da adoção de tecnologia no chão de fábrica: acesso à informação, empoderamento do time e qualidade de vida do manutentor.

O futuro da indústria não está só nas mãos da tecnologia. Está principalmente nas mãos de vocês.
Lucas Fernandes Lucas Fernandes VP of Solutions Engineering Tractian

Palco 2 – The Business of Reliability

1. Quando Um Sinal Não Basta: O Desafio de Gerenciar Operações Complexas

João Granzotti, Director of Enterprise Account Management da Tractian
João Granzotti, Director of Enterprise Account Management da Tractian

João Granzotti, Director of Enterprise Account Management da Tractian, abriu o palco 2 trazendo a tese do multimodal para os casos onde a vibração sozinha nunca foi suficiente. 

A palestra percorreu três cenários concretos: um compressor em uma indústria de bebidas onde a umidade e a pressão deram o aviso de calço hidráulico duas semanas antes da vibração; uma embarcação offshore com motores azimutais em rotação variável, onde é preciso cruzar carga, direção e sonda lambda do motor a combustão para separar operação de falha; e uma CNC com setups diferentes, onde a mesma assinatura de vibração pode significar operação normal em um setup e falha em outro.

A IA é o que ela come. E a IA come dado.
João Granzotti João Granzotti Director of Enterprise Account Management Tractian

2. Cultura de Inovação: Como Atrair e Reter Mão de Obra no Mercado Competitivo

Cultura de Inovação: Como Atrair e Reter Mão de Obra no Mercado Competitivo
Cultura de Inovação: Como Atrair e Reter Mão de Obra no Mercado Competitivo

André Gonçalves, Diretor de Operações SA da KP Films, moderou uma mesa-redonda com três lideranças industriais: Luciana Gomes, Diretora das Fábricas Nordeste da Unilever; Ricardo Fernandes, CIO da Harald; e Fernanda Bergamini, Diretora de Operações da Randoncorp.

A conversa contemplou a dificuldade de atrair e reter mão de obra técnica, os programas internos de formação (como o programa de aprendizes técnicos que a Unilever rodou no Nordeste, com 100% de aproveitamento), e o desafio geracional da indústria: uma nova geração que quer carreira acelerada, feedback contínuo, propósito claro e flexibilidade. Não necessariamente nessa ordem, mas sempre junto.

O operador precisa deixar de ser um cara que conserta uma quebra e virar um agente de melhoria.
Ricardo Fernandes Ricardo Fernandes CIO Harald

3. Estratégia em Escala: Desafios e Boas Práticas na Gestão de Múltiplas Plantas

Cultura de Inovação: Como Atrair e Reter Mão de Obra no Mercado Competitivo

Antonio Melo e Ronaldo Banin, ambos Gerentes de Manutenção e Utilidades Corporativos da Solar Coca-Cola, trouxeram o caso de uma das maiores operações multiplantas do Brasil: 13 fábricas em 18 estados, 70 linhas de produção e cerca de 90 mil equipamentos mapeados.

A história começou com uma quebra do compressor em Maceió em 2024, que parou a fábrica por cinco dias e redirecionou a estratégia inicial do projeto Supernova, do envase para utilidades. 

De lá para cá, foram mais de 1.050 falhas identificadas nas 13 plantas, 250 usuários capacitados, 2.000 horas de downtime evitadas em 2025 e 912 horas até agosto de 2026. 

A fase dois, prevista para 2027, leva o monitoramento para o envase e aprofunda a estratégia de saúde do ativo cruzando curva da banheira e intervalo P-F.

Não é só o dado chegar. É como ele chega até o técnico.
Antonio Melo Antonio Melo Gerente de Manutenção e Utilidades Corporativo Solar Coca-Cola

4. Do Processo ao Resultado: O Que Sustenta a Estratégia de Ativos no Longo Prazo

Fechando o palco 2, Edésio Scalese, Gerente de Manutenção LATAM da Syngenta, moderou uma mesa-redonda com Bruno Silveira, Líder de Confiabilidade e Desempenho de Ativos LATAM da Bayer, e Adriano Strauss, Gerente Corporativo de Manutenção da CSN Cimentos.

A conversa percorreu os fundamentos que sustentam confiabilidade ao longo dos anos. Isso inclui a matriz de criticidade construída com envolvimento multidisciplinar, a revisão contínua dos planos de manutenção, o Design for Reliability aplicado antes do comissionamento e a importância de rodar pilotos como ambiente controlado para falhar de forma inteligente.

Além, é claro, da gestão de pessoas como síntese daquilo que verdadeiramente garante que o processo sobreviva à troca de equipe.

A alta liderança tem que ficar embaixo da pirâmide. Para suportar o negócio.
Edésio Scalese Edésio Scalese Gerente de Manutenção LATAM Syngenta

Demo Stations: a materialização do multimodal

Entre as palestras, o térreo do evento foi reservado para as demo stations, estações montadas para que os participantes pudessem experimentar, na prática, o que foi apresentado nos palcos. Cada estação cobriu uma camada do multimodal:

Demo Stations: a materialização do multimodal
Demo Stations: a materialização do multimodal
  • Asset Knowledge, com a plataforma mostrando o diagnóstico amarrado ao modo de falha e a memória do ativo;
  • Mechanical Protection, com o novo sensor capturando vibração triaxial, ultrassom, campo magnético e temperatura em um único sensor sincronizado;
  • Electrical Protection, com o novo monitoramento de energia aplicado a inversores, barramentos e motores;
  • Operational Intelligence, com a captura de dados de pressão, vazão, rotação e processo integrada ao diagnóstico multimodal;
  • Multimodal Insights, mostrando o cruzamento das três camadas e o insight gerado pelo Janus;
  • Command Center, com a visão corporativa de condição e priorização entre plantas.
Demo Stations no TMD26

Em cada estação, os engenheiros da Tractian estiveram presentes para abrir o produto, mostrar o funcionamento e responder perguntas técnicas específicas das operações dos participantes.

Tractian Awards 2026

Fechando o dia, Leonardo Vieira, CCO da Tractian, conduziu a quinta edição do Tractian Awards. 

Tractian Awards 2026.
Tractian Awards 2026.

Em 2026, 13 categorias reconheceram as equipes e líderes que mais avançaram em confiabilidade e transformação digital no último ano, selecionados a partir de mais de 100 projetos de 60 companhias em 25 setores da economia.

Entre os vencedores, nomes como Atvos, CSN Cimentos, Suzano, Embraer, Grupo Maratá, Coca-Cola Andina, Vibra Energia, Nacional Gás, Be8, CMPC, Whirlpool, Bimbo e Ingredion.

Veja a lista completa de vencedores do Tractian Awards 2026.

TMD 27: entre na lista de interesse

O Tractian Maintenance Day 2027 já começa a ser planejado agora mesmo. 

É um trabalho extenso, árduo, que reúne centenas de pessoas para acontecer e assim levar aos clientes da Tractian as melhores soluções da manutenção industrial de hoje e de amanhã. 

Se você quer ser notificado assim que a programação, a data e as inscrições forem abertas, entre para a lista de interesse do TMD27 — é só clicar aqui.

Nos vemos no próximo ano. 🧢

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