8 Desperdícios do Lean: Como Reduzir Custos e Ganhar Eficiência

Erik Cordeiro

Atualizado em 02 abr. de 2025

8 Desperdícios do Lean: Como Reduzir Custos e Ganhar Eficiência

8 Desperdícios do Lean: Como Reduzir Custos e  Ganhar Eficiência

Mesmo com sistemas de produção cada vez mais automatizados e digitalizados, o desperdício ainda é um fantasma que ronda boa parte das operações industriais. Basta olhar com atenção para perceber que existem perdas escondidas — e elas se acumulam diariamente.

É aí que entram os 8 desperdícios do Lean: uma classificação direta dos principais pontos de ineficiência que drenam recursos, comprometem a produtividade e ampliam os custos operacionais. 

Eles surgem nas mais diversas etapas da jornada industrial, da produção ao armazenamento, passando pela movimentação de materiais e até pelas intervenções de manutenção.

A boa notícia é que cada um deles pode ser mitigado com estratégias claras de gestão e manutenção inteligente.

Neste artigo, vamos explorar como esses desperdícios se manifestam na prática e o que pode ser feito para eliminá-los ou reduzi-los com estratégias lean e ações de manutenção bem planejadas.

1. Superprodução: Fabricar Além da Demanda Real

Entre todos os desperdícios do Lean, a superprodução é, muitas vezes, o mais difícil de enxergar — e o mais caro de manter.

Produzir além do necessário pode parecer uma forma de antecipar as demandas, mas, na prática, gera estoques desnecessários e consome recursos antes da hora.

No chão de fábrica, isso se traduz em lotes exagerados que ocupam espaço, exigem transporte e manuseio, e, principalmente, amarram capital que poderia estar sendo usado em áreas mais estratégicas.

Um exemplo claro são linhas de produção que operam em ritmo acelerado sem considerar as reais ordens de venda. 

Em vez de fabricar sob demanda, o sistema empurra mais peças para o estoque, aumentando os custos com armazenagem, controle e até com perdas — especialmente em setores com produtos perecíveis ou que sofrem obsolescência técnica.

Outro cenário comum acontece nas indústrias com baixa integração entre áreas. Quando produção, manutenção e planejamento não compartilham dados em tempo real, decisões são tomadas com base em palpites.

O resultado você já conhece: máquinas operando sem necessidade, peças paradas por meses e um estoque que cresce sem controle.

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2. Tempo de Espera: Paradas e Atrasos Que Custam Caro

Quando uma máquina para ou um operador fica esperando a próxima tarefa, o custo não é só de tempo, mas também de produtividade, eficiência e, no fim das contas, de dinheiro também.

O tempo de espera é um dos desperdícios mais visíveis no chão de fábrica, mas muitas vezes é tratado como inevitável. Na verdade, não é. 

Na maioria dos casos, ele está ligado à falta de planejamento robusto, comunicação falha entre setores e baixa visibilidade sobre o status real dos processos.

Imagine um técnico parado esperando uma autorização de manutenção. Ou uma máquina parada porque o material ainda não chegou da etapa anterior. Ou ordens de serviço travadas por falta de liberação do PCM. 

O problema é que a fábrica continua funcionando, com energia sendo consumida, folha de pagamento rodando e metas pressionando. E a operação, mesmo parada, segue gerando gastos.

Para eliminar esse tipo de desperdício é preciso unir alguns fatores: sincronização entre as áreas, maior visibilidade do fluxo produtivo e decisões baseadas em dados.

Uma plataforma de gestão de ativos como um CMMS é a escolha ideal para lidar com esse tipo de coisa.

Com um software como esse, a sua equipe de manutenção tem acesso em tempo real ao status dos ativos e consegue programar intervenções e paradas que não vão interferir no ritmo da produção, além de te ajudar a economizar tempo e dinheiro.

3. Transporte: Movimentações Desnecessárias de Materiais

Se você precisa de empilhadeira para levar material de um lado ao outro da planta o tempo todo, tem algo errado no layout. Excesso de transporte interno é um sinal claro de desperdício. 

Cada metro rodado a mais representa tempo, esforço e custo que poderiam ser evitados.

Na prática, isso acontece quando as linhas de produção não conversam entre si — e o fluxo de materiais vira um ziguezague sem lógica. Quanto mais longe estiverem as etapas do processo, maior o número de deslocamentos e o risco de retrabalho, colisões ou danos aos produtos.

É o tipo de problema que nasce da falta de um mapeamento claro. Sem essa visão geral, rotas são definidas no improviso, e o que era uma solução provisória vira rotina. Em pouco tempo, o transporte deixa de ser um apoio e passa a atrapalhar o rendimento da operação.

Reduzir esse desperdício começa com uma pergunta simples: os materiais estão indo pra onde realmente deveriam, da forma mais direta possível?

Com base nisso, você consegue revisar o fluxo interno, reposicionar setores, ajustar o layout e encurtar caminhos, o que vai gerar mais agilidade na sua operação e custos menores.

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4. Processo de Produção: Excesso de Etapas e Complexidade

Nem toda tarefa que está no seu processo precisa, de fato, estar ali. O desperdício de processo (ou overprocessing) acontece quando há etapas demais, controles em duplicidade ou exigências que não agregam valor real ao produto final.

Esse excesso normalmente vem de uma boa intenção: garantir qualidade, padronizar entregas, evitar retrabalho. Mas, com o tempo, sem uma revisão criteriosa, o processo vai ganhando camadas desnecessárias.

E o que era controle vira burocracia.

Um exemplo clássico é o retrabalho disfarçado de inspeção. Duas ou três checagens seguidas para uma mesma variável, feitas por setores diferentes, usando os mesmos dados. 

Ou então operações repetidas por causa de falhas de comunicação entre turnos, como setups que são refeitos porque ninguém registrou a parametrização correta da máquina.

Para evitar isso, seja guiado pela seguinte máxima: se a etapa não melhora o resultado final, ela só está ocupando tempo e recursos.

Por isso, é essencial mapear cada parte do processo. Desde a entrada da matéria-prima até a expedição. Entender onde está o valor agregado e onde só existe esforço repetido. 

Só assim você vai conseguir redesenhar o fluxo focando em mais produtividade, eliminando tarefas redundantes e automatizando o que for possível.

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5. Estoque: Capital Parado e Riscos de Obsolescência

Outro erro comum é pensar que estoque demais é sinal de segurança, quando na verdade é sinal de dinheiro parado. Cada peça armazenada além do necessário congela capital, ocupa espaço e aumenta o risco de perda, seja por validade, obsolescência ou falta de giro.

O problema se intensifica quando o estoque deixa de ser estratégico e vira um reflexo de decisões mal alinhadas, como em uma produção que fabrica sem visibilidade da demanda real ou com compras que antecipam materiais por medo de ruptura. 

E quanto maior o estoque, maior o custo para manter tudo isso girando: é preciso mais controle, mais auditoria e mais estrutura física. Tudo isso pra guardar algo que talvez nem seja usado.

O lado bom é que esse tipo de desperdício é evitável. A solução está em alinhar produção, compras e suprimentos com base em dados reais.

A aplicação de técnicas como o Just In Time ajuda a manter o fluxo mais enxuto, garantindo que o material certo chegue no momento certo. 

Mas isso só funciona de verdade quando há integração com a cadeia de suprimentos e visibilidade sobre o que está em produção, o que já foi entregue e o que ainda está por vir.

Veja esse guia que pode te ajudar a aprimorar o Planejamento e Controle de Manutenção:

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6. Movimento: Desgaste Físico e Ineficiência de Layout

Movimentar operadores, ferramentas e peças de um lado para o outro parece algo comum, mas, quando feito sem critério, isso também gera desperdício.

Esse tipo de ineficiência acontece quando os postos de trabalho não são bem distribuídos, o fluxo de produção não segue uma lógica clara ou os operadores precisam compartilhar equipamentos, ferramentas e estações com outras áreas. 

O tempo perdido nesses deslocamentos e trocas impacta diretamente na produtividade, na organização e até na qualidade final do que é entregue.

Em muitos casos, o operador precisa interromper a tarefa para buscar uma peça, consultar um documento ou esperar a liberação de uma máquina. E isso acontece não porque a operação é complexa, mas porque o processo foi mal desenhado.

O excesso de movimento também inclui o esforço físico: alcançar algo fora do campo de visão, se curvar o tempo todo, se deslocar por longos trechos dentro da planta. Esses são sintomas de uma organização que ainda não pensou no fluxo com inteligência.

Aqui, a observação direta faz toda a diferença. 

Aplicando o princípio do Gemba, é possível identificar onde os movimentos se acumulam, onde há retrabalho e como pequenas mudanças de layout ou padronização podem destravar a eficiência da sua operação.

7. Defeitos: Retrabalho, Sucata e Perda de Qualidade

Poucas coisas drenam tanto tempo, material e confiança quanto os defeitos na produção.

Cada produto com falha representa um ciclo completo desperdiçado: matéria-prima jogada fora, horas de trabalho perdidas e energia consumida à toa. Sem falar no retrabalho, que consome ainda mais recursos e compromete a fluidez da operação. 

O que era pra seguir direto pro cliente, volta pro início da linha — ou vai direto para a sucata.

Além do custo operacional, existe um impacto que pesa ainda mais: o desgaste da reputação. Cliente que recebe um produto com problema dificilmente esquece disso

E, dependendo da recorrência, começa a questionar toda a confiabilidade da sua empresa.

Defeitos acontecem por vários motivos: erro humano, falhas de processo, especificações mal definidas. Mas um fator crítico — e muitas vezes negligenciado — é a condição dos próprios ativos.

Máquinas desalinhadas, rolamentos desgastados, sistemas com folgas ou variações térmicas comprometem diretamente a qualidade do produto final. 

Um desbalanceamento mínimo em um motor pode causar vibrações que desregulam equipamentos inteiros, afetando desde a precisão de corte até a aplicação de insumos. E quando o problema é identificado, o lote já está comprometido.

É aqui que a manutenção preditiva baseada em dados faz total diferença. Com monitoramento da condição dos ativos — como vibração, temperatura e padrões de comportamento — é possível detectar anomalias antes que elas gerem impacto direto no processo.

Ao antecipar falhas, sua equipe atua antes do dano acontecer, mantendo as máquinas em pleno desempenho e protegendo a qualidade da produção, o que reduz a ocorrência de defeitos e evita que erros mecânicos virem problemas sérios.

Se quiser estruturar análises que previnam falhas e garantam maior confiabilidade dos ativos, vale a pena conferir esta planilha:

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8. Talentos Subutilizados: Conhecimento e Engajamento Desperdiçados

Nenhuma tecnologia, processo ou máquina entrega o máximo se as pessoas por trás dela não forem ouvidas.

O desperdício de talentos acontece quando a indústria ignora o potencial da própria equipe. Técnicos e operadores que estão todos os dias no chão de fábrica conhecem como ninguém os gargalos, as falhas recorrentes e os ajustes que poderiam melhorar a operação. 

Mas quando não há espaço para que essas ideias circulem, o conhecimento fica preso  e a melhoria contínua simplesmente não acontece.

Esse é um tipo de desperdício silencioso, mas com impacto direto na produtividade. Equipes que não são envolvidas nas decisões operacionais tendem a se desengajar. 

E sem engajamento, o senso de responsabilidade cai, a execução enfraquece e o desempenho geral da fábrica sofre.

Valorizar o capital humano não é só oferecer salário justo, é também sobre criar um ambiente onde todos tenham voz. 

Tem algumas formas de fazer isso. Você pode promover workshops de Kaizen, que são encontros focados em identificar, discutir e resolver problemas do processo, diretamente com quem executa as atividades. 

Também pode estimular a troca de ideias entre setores e incluir operadores nas análises de falha.

Além disso, é essencial manter o time atualizado. Treinamentos técnicos e capacitação constante ajudam a extrair o melhor de cada profissional — e preparam a equipe para operar de forma mais estratégica em um cenário cada vez mais digital.

Se estiver buscando formas de capacitar a sua equipe gratuitamente, com cursos e treinamentos, a Tractian Academy pode ser uma ótima opção. 

Como a Tecnologia de Monitoramento e Gestão de Ativos Ajuda a Eliminar Desperdícios

Não tem como reduzir os desperdícios da sua operação sem um planejamento que te ajude a ter mais visibilidade e controle. Para isso, a tecnologia é a aliada perfeita.

Soluções de monitoramento em tempo real, baseadas em sensores inteligentes e conectividade IIoT, oferecem uma camada de inteligência que permite acompanhar de perto o desempenho dos seus ativos. 

Isso dá à equipe de manutenção o poder de agir antes que uma falha aconteça, além de evitar paradas inesperadas, desperdício de material, retrabalho e atrasos em série.

Sistemas de gestão de ativos também podem transformar por completo a sua operação ao centralizar dados, organizar rotinas, automatizar fluxos e facilitar a tomada de decisão. 

Com uma plataforma integrada, fica mais simples prever demandas, programar intervenções e evitar compras emergenciais de peças ou a formação de estoques inflados.

É exatamente isso que a Tractian entrega. Uma estrutura completa, que une monitoramento em tempo real, gestão inteligente de ativos e manutenção preditiva em uma única plataforma.

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Erik Cordeiro
Erik Cordeiro

Engenheiro de Aplicações

Engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de São Carlos, especializado em manutenção industrial e gestão de energia. É engenheiro de aplicações na TRACTIAN.

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