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Manutenção preditiva: o que é, vantagens e como implementar

Alex Vedan

Atualizado em 29 jan. de 2026

11 min.

Mesmo com planos preventivos bem definidos, paradas não planejadas e falhas custosas ainda fazem parte da rotina de muitas indústrias. Muitas vezes, elas aparecem sem aviso e afetam diretamente a produtividade, a segurança e os resultados da operação.

É nesse contexto que a manutenção preditiva ganha espaço. Em vez de agir apenas com base em tempo ou uso, essa abordagem acompanha a condição real dos equipamentos, identificando sinais de desgaste e anomalias antes que se transformem em falhas críticas. 

O objetivo é intervir no momento certo, com menos desperdício e mais controle.

Neste guia, você vai entender o que é manutenção preditiva, quando ela faz sentido, quais são seus principais benefícios e como começar a implementá-la de forma estruturada na sua operação.

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O que é manutenção preditiva?

A manutenção preditiva é uma estratégia de manutenção que utiliza dados reais de operação para avaliar a condição dos equipamentos e antecipar falhas antes que elas causem paradas ou perdas de desempenho.

Em vez de seguir apenas intervalos fixos de tempo ou uso, como acontece na manutenção preventiva, a abordagem preditiva se propõe a prever o comportamento dos ativos com base no monitoramento contínuo ou periódico de variáveis operacionais, como vibração, temperatura, pressão, vazão, consumo de energia e condição do lubrificante.

A partir desses dados, é possível identificar padrões, desvios e tendências que indicam desgaste, falhas incipientes ou comportamento anormal do ativo. Com isso, a equipe de manutenção consegue intervir no momento mais adequado, evitando tanto falhas inesperadas quanto intervenções desnecessárias.

Quando bem aplicada, essa estratégia aumenta a confiabilidade dos ativos, reduz custos operacionais e melhora a previsibilidade da rotina de manutenção, tornando as decisões mais técnicas e menos reativas.

Vale destacar que a manutenção preditiva não depende exclusivamente de tecnologias avançadas. 

Embora sensores e sistemas de análise de dados ampliem muito sua precisão, a observação operacional também faz parte do processo. Ruídos fora do padrão, vibração excessiva ou aquecimento anormal percebidos pelos operadores são sinais importantes que ajudam a direcionar inspeções e análises mais profundas.

Objetivos da Manutenção Preditiva

O principal objetivo da manutenção preditiva é garantir a confiabilidade dos ativos, antecipando falhas antes que elas impactem a produção, a segurança ou os custos da operação.

Ao monitorar continuamente a condição dos equipamentos, essa estratégia permite que as intervenções de manutenção sejam feitas no momento mais adequado, evitando tanto paradas inesperadas quanto manutenções desnecessárias.

Além desse objetivo central, a manutenção preditiva também contribui para:

  • Aumentar a disponibilidade dos equipamentos, reduzindo paradas não planejadas;
  • Prolongar a vida útil dos ativos, ao evitar desgastes acelerados e falhas catastróficas;
  • Reduzir custos de manutenção, com menos intervenções emergenciais e retrabalho;
  • Diminuir desmontagens desnecessárias, mantendo os equipamentos em operação por mais tempo;
  • Elevar a segurança operacional, ao identificar condições anormais antes que se tornem riscos;
  • Melhorar o planejamento da manutenção, com rotinas mais previsíveis e organizadas.

Outro ponto importante é o impacto direto na rotina das equipes. Com informações mais confiáveis sobre a condição dos ativos, o time de manutenção deixa de atuar de forma reativa e passa a trabalhar de maneira mais estratégica, com menos pressão e maior controle sobre as prioridades do dia a dia.

Como funciona a Manutenção Preditiva?

A manutenção preditiva funciona a partir de um princípio simples: acompanhar a condição dos ativos ao longo do tempo para identificar sinais de falha antes que eles afetem a operação.

Na prática, isso significa monitorar variáveis que indicam o estado de saúde dos equipamentos e analisar como esses parâmetros se comportam durante a operação normal. 

Qualquer desvio relevante, seja gradual ou repentino, acende um alerta para investigação e possível intervenção.

Esse acompanhamento pode acontecer de duas formas principais. Uma delas é com o monitoramento contínuo, que se dá pela coleta automática de dados em tempo real com sensores inteligentes. A outra forma é o monitoramento periódico, que deve ser feito por meio de inspeções e medições realizadas em intervalos definidos.

Independentemente do método, o foco da manutenção preditiva é entender tendências de comportamento. Um aumento progressivo de vibração, uma elevação anormal de temperatura ou uma mudança no consumo de energia, por exemplo, indicam que algo está se degradando, mesmo que o equipamento ainda esteja operando.

Operadores e técnicos também fazem parte desse processo. Percepções como ruídos fora do padrão, aquecimento excessivo ou perda de performance são sinais valiosos que ajudam a direcionar análises mais aprofundadas.

Quando esses dados e observações são analisados em conjunto, a equipe consegue responder com mais precisão a perguntas críticas da operação, como:

  • Qual equipamento precisa de atenção agora?
  • Qual falha ainda está em estágio inicial?
  • Qual intervenção pode ser planejada sem impacto na produção?

Com isso, a manutenção deixa de ser baseada em suposições ou calendários fixos e passa a ser orientada por informações reais sobre o comportamento dos ativos, tornando a operação mais previsível e eficiente.

Tipos de manutenção preditiva: principais técnicas utilizadas

A manutenção preditiva pode ser aplicada por meio de diferentes técnicas de monitoramento. Elas variam de acordo com o tipo de ativo, o modo de falha esperado e o nível de criticidade do equipamento.

Cada técnica observa um “sinal” específico do funcionamento da máquina. Quando esses sinais fogem do comportamento normal, indicam desgaste, desalinhamento, falhas mecânicas ou elétricas em estágio inicial.

A seguir, veja as principais técnicas utilizadas na manutenção preditiva industrial:

Técnicas da manutenção preditiva: na prática
Principais técnicas de manutenção preditiva

Análise da Vibração

A análise de vibração é uma das técnicas mais utilizadas na manutenção preditiva, especialmente em equipamentos rotativos, como motores, bombas, ventiladores e redutores.

Por meio da medição dos níveis e padrões de vibração, é possível identificar problemas como:

  • Desbalanceamento;
  • Desalinhamento;
  • Desgaste de rolamentos;
  • Falhas em engrenagens;
  • Folgas e problemas estruturais.

Alterações no comportamento vibracional costumam surgir muito antes de uma falha crítica, o que torna essa técnica uma das mais eficazes para antecipar problemas mecânicos.

Termografia

A termografia monitora a variação de temperatura dos equipamentos por meio da captação de radiação infravermelha.

Essa técnica é amplamente utilizada para identificar:

  • Sobreaquecimento de componentes;
  • Problemas elétricos, como mau contato ou sobrecarga;
  • Falhas em sistemas de isolamento;
  • Atrito excessivo em partes mecânicas.

Ao comparar imagens térmicas ao longo do tempo, é possível detectar pontos de aquecimento anormal e agir antes que o problema evolua para uma falha mais grave.

Ultrassom

A técnica de ultrassom se baseia na captação de ondas sonoras em frequências acima do limite audível humano.

Ela é especialmente útil para detectar:

  • Vazamentos em sistemas de ar comprimido, vapor e gases;
  • Descargas elétricas e falhas em painéis;
  • Defeitos mecânicos iniciais em rolamentos.

Por ser sensível a pequenas variações, o ultrassom ajuda a identificar falhas em estágio muito inicial, quando ainda não há impacto visível na operação.

Análise de trincas

A análise de trincas é utilizada para identificar descontinuidades superficiais ou subsuperficiais em componentes metálicos.

Técnicas como o ensaio por partículas magnéticas permitem detectar trincas, falhas de fabricação, inclusões e outros defeitos estruturais que podem comprometer a integridade do equipamento ao longo do tempo.

Análise do óleo

A análise de óleo avalia tanto a condição do lubrificante quanto o estado interno do equipamento.

A partir dessa técnica, é possível identificar:

  • Contaminação do óleo;
  • Presença de partículas metálicas;
  • Oxidação e degradação do lubrificante;
  • Desgaste de componentes internos.

Essas informações ajudam a definir o momento ideal para a troca de óleo e indicam falhas que ainda não se manifestaram externamente.

Exemplos de Manutenção Preditiva na indústria

Existem incontáveis exemplos de sucesso da aplicação da preditiva na indústria, como é o caso da Inpasa, uma das principais indústrias de etanol de milho da América Latina, que alcançou disponibilidade de 99,76% com monitoramento contínuo de seus ativos industriais.

A principal dor era: contar com uma solução que monitorasse a saúde de seus ativos em tempo real.

Mesmo com todo aparato de manutenção preventiva já em ação - isto é, rotas preditivas e procedimentos técnicos - ainda faltava uma solução que viria a melhorar seus indicadores, como produtividade e downtime.

Com a implementação de um sistema de sensores inteligentes, a empresa conseguiu resultados incríveis:

  • Redução de 25 minuto na execução de OS
  • Redução de 80 horas em downtime
  • Ganho total de quase 80 horas de produtividade
  • Payback do projeto em 25 dias
  • ROI de 1.359%

Outro exemplo é na indústria sucroenergética, onde paradas não planejadas durante a safra têm impacto direto na produção e nos custos.

Foi esse desafio que levou a Atvos, uma das maiores produtoras de etanol do Brasil, a reforçar sua estratégia de manutenção preditiva com monitoramento contínuo de ativos críticos.

Mesmo com rotinas preventivas e inspeções periódicas, a empresa enfrentava limitações na visibilidade da condição dos equipamentos. Falhas evoluiam entre uma inspeção e outra, especialmente fora do horário comercial, o que aumentava o risco de paradas longas e corretivas emergenciais.

A mudança veio com a adoção da manutenção preditiva baseada em monitoramento online, acompanhando variáveis como vibração e temperatura em tempo real. Com alertas automáticos, a equipe passou a atuar de forma antecipada, corrigindo anomalias ainda em estágio inicial.

Os resultados foram expressivos:

  • Mais de 3.850 horas de parada evitadas;
  • ~R$ 15 milhões em perdas operacionais evitadas;
  • Moagem recorde de 27,5 milhões de toneladas de cana na safra 2023/2024.

Em um dos eventos mais críticos, o monitoramento detectou um aumento anormal de temperatura em alguns motores logo após uma parada programada. A atuação imediata da equipe evitou um superaquecimento severo que poderia resultar em até 960 horas de parada e perdas milionárias.

O caso da Atvos mostra como a manutenção preditiva vai além de evitar falhas pontuais. Ela aumenta a previsibilidade da operação e dá mais controle sobre ativos críticos, mesmo em ambientes industriais de alta complexidade.

Quando realizar a Manutenção Preditiva?

A resposta curta? O quanto antes. Essa é uma decisão que não envolve apenas sua capacidade produtiva, mas uma questão de competitividade.

De acordo com a Plant Engineering, 48% das plantas industriais já usam dispositivos conectados para medir e analisar dados sobre a condição de seus equipamentos e maquinário - e outros 30% estão interessados em fazê-lo.

Ou seja, acima de tudo, é uma questão de mercado.

Quais os benefícios de implementar a Manutenção Preditiva?

E na prática, o que a preditiva traz de benefícios a uma indústria? São vários, confira a seguir:

Vantagens da manutenção preditiva
Vantagens da manutenção preditiva
  • Redução dos custos de manutenção;
  • Redução de falhas das máquinas;
  • Redução do estoque de sobressalentes;
  • Redução de horas extras para manutenção;
  • Redução de tempo de parada das máquinas;
  • Aumento na vida das máquinas;
  • Aumento na produtividade;
  • Aumento de lucros.

Além de tornar o trabalho dos funcionários mais eficiente, a estratégia preditiva mantém a competitividade da indústria.

Afinal, o acompanhamento contínuo antecipa as falhas - e máquinas que não quebram mantêm a produção 100% e assim, a empresa ganha mais espaço no mercado.

E por estar relacionada a diversos parâmetros de análise, a PdM prevê e evita problemas graves já em seu estágio inicial.

Ou seja, a empresa sai de uma dinâmica de “apagar incêndio” e “quebra e conserta”, e parte rumo às ações proativas que evitam as quebras. 

Como implementar a manutenção preditiva?

Implementar a manutenção preditiva não significa, necessariamente, transformar toda a operação de uma vez. Na prática, os melhores resultados vêm de uma adoção gradual, estruturada e orientada por criticidade.

A seguir, um passo a passo em três etapas para iniciar a manutenção preditiva de forma eficiente.

Passo a passo da implementação da manutenção preditiva
Passo a passo da implementação da manutenção preditiva

1. Identifique os ativos mais críticos da operação

O primeiro passo é identificar quais ativos realmente merecem atenção prioritária e estabelecer um ranking de criticidade. Nem todos os equipamentos impactam a operação da mesma forma. 

Alguns ativos, quando falham, causam perdas significativas de produção, elevam custos de manutenção ou representam riscos à segurança. São esses equipamentos que devem ser priorizados na estratégia preditiva, garantindo foco e retorno mais rápido sobre o esforço investido.

2. Defina o que monitorar e como acompanhar a condição

Com os ativos mais críticos definidos, o próximo passo é entender quais sinais indicam que algo não vai bem nesses equipamentos. Nem toda máquina apresenta falhas da mesma forma, por isso a manutenção preditiva precisa ser direcionada.

Nessa etapa, a equipe passa a observar quais variáveis realmente ajudam a avaliar a saúde do ativo e com que frequência essas informações devem ser acompanhadas. 

Em alguns casos, medições periódicas já oferecem bons insights. Em outros, o monitoramento contínuo é essencial para não perder sinais importantes entre uma inspeção e outra.

Esse alinhamento evita excesso de dados e garante que o acompanhamento da condição dos ativos seja prático, relevante e conectado aos modos de falha mais críticos da operação.

3. Transforme dados em ação planejada

A manutenção preditiva só gera valor quando a informação coletada se transforma em decisão e ação no momento certo. Monitorar ativos sem um plano claro de resposta tende a gerar alertas ignorados ou intervenções atrasadas.

Por isso, essa etapa envolve definir como a equipe reage aos sinais de falha identificados: quem analisa os dados, como as prioridades são estabelecidas e de que forma essas intervenções entram no planejamento de manutenção existente. 

Quando esse fluxo está bem estruturado, a manutenção deixa de ser reativa e passa a ser mais previsível, com menos urgências e melhor uso dos recursos.

Os dados ajudam a antecipar problemas, planejar intervenções e reduzir paradas inesperadas, tornando a rotina de manutenção mais organizada e estratégica.

Diferenças entre manutenção preditiva e preventiva

A manutenção preventiva e a manutenção preditiva têm o mesmo objetivo final: evitar falhas e garantir a continuidade da operação. No entanto, elas se diferenciam principalmente pela forma como definem quando uma intervenção deve acontecer.

A manutenção preventiva segue intervalos previamente estabelecidos, baseados em tempo, horas de uso ou ciclos de operação. Por exemplo, trocar um rolamento após um número fixo de horas ou realizar uma inspeção mensal, independentemente da condição real do equipamento. Essa abordagem ajuda a reduzir falhas, mas pode gerar intervenções desnecessárias ou, em alguns casos, não evitar falhas que surgem antes do prazo previsto.

Já a manutenção preditiva se baseia na condição real do ativo. Em vez de seguir apenas um calendário, ela utiliza dados operacionais para identificar sinais de desgaste e anomalias, permitindo que a manutenção aconteça exatamente no momento em que o equipamento começa a apresentar risco de falha.

No dia a dia da manutenção, as duas estratégias não competem. Elas se complementam. A equipe cria uma base de controle e organização preventiva, enquanto a manutenção preditiva inclui a análise do comportamento para refinar as decisões, trazendo mais precisão e previsibilidade para a rotina de manutenção.

Diferenças entre manutenção preventiva e preditiva
Diferenças entre manutenção preventiva e preditiva

Como a tecnologia da Tractian alavanca a manutenção preditiva?

Quando bem aplicada, a manutenção preditiva fortalece a operação ao trazer mais previsibilidade para a rotina industrial. 

Com o poder de antecipar falhas, a equipe de manutenção reduz paradas inesperadas, diminui gastos emergenciais e evita intervenções feitas sob pressão, que normalmente custam mais e geram retrabalho.

É nesse contexto que a tecnologia se torna um grande facilitador.

A solução de monitoramento da Tractian permite acompanhar variáveis como vibração e temperatura de forma contínua, ajudando as equipes a identificar mudanças relevantes no comportamento dos equipamentos antes que elas se transformem em falhas inesperadas. 

Em vez de depender apenas de inspeções pontuais ou intervenções reativas, a operação passa a ter dados consistentes para orientar suas decisões.

Para que a manutenção preditiva gere impacto real, essas informações precisam ser organizadas, priorizadas e transformadas em ação.

É isso que a Tractian faz: ajudamos times industriais do Brasil e do mundo a elevar a confiabilidade dos ativos, reduzir custos operacionais e estruturar uma manutenção mais proativa e sustentável. 

Se a sua operação busca mais controle, previsibilidade e eficiência, a manutenção preditiva apoiada pela tecnologia certa é um passo natural nessa evolução.

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Alex Vedan
Alex Vedan

Diretor

Como Diretor de Marketing da Tractian, Alex Vedan conecta inovação à estratégia, alinhando a empresa às demandas reais da indústria. Com formação em Design Industrial pela UNESP e especialização em tecnologia de fabricação, lidera iniciativas que destacam o impacto das soluções Tractian no mercado.

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