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Análise de vibração em peneiras vibratórias: frequências críticas

Erik Cordeiro

Atualizado em 13 mar. de 2026

7 min.

Peneiras vibratórias são um dos ativos mais desafiadores para a análise de vibração, já que operam sob vibração intensa por natureza. O próprio princípio de funcionamento é baseado em excitação mecânica controlada: o excitador gera vibração de alta amplitude em frequência definida para classificar o material por granulometria.

Isso cria um problema analítico que não existe em outros ativos rotativos: como distinguir a vibração de processo, que é esperada e necessária, da vibração de falha, que precisa ser detectada e tratada?

A resposta está em reconhecer com precisão as frequências de referência do equipamento, entender como cada modo de falha se manifesta no espectro dentro desse ambiente de alta energia, e usar um sensor e uma plataforma com capacidade técnica para capturar e resolver esses sinais sem perder informação nos estágios críticos.

Este artigo é um guia prático para o analista que trabalha com peneiras vibratórias: quais frequências referenciar, como ler cada modo de falha no espectro e quais são os requisitos técnicos que o sistema de monitoramento precisa atender para ser eficaz nesse tipo de ativo.

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Frequências de referência para o analista

Antes de identificar falha em uma peneira vibratória, é necessário estabelecer o mapa de frequências do equipamento em condição normal. Sem esse mapa, qualquer pico no espectro é ambíguo. Pode ser processo, falha ou interação entre os dois.

Três grupos de frequências estruturam essa referência:

Frequência de excitação

A frequência de excitação é a frequência operacional do excitador, o componente responsável por gerar a vibração da peneira. Ela é determinada pela rotação do motor que aciona o excitador e pelo número de massas excêntricas do conjunto, e define a frequência dominante do espectro em condição normal.

Essa frequência e suas harmônicas (2×, 3× e superiores) são o piso de referência de todo o espectro da peneira. Qualquer análise começa por aqui: saber o que é excitação normal é o que permite identificar o que está além dela.

Em peneiras com excitador de dois eixos contra-rotativos, uma configuração comum em peneiras lineares de alta capacidade, há duas frequências de excitação que precisam ser documentadas individualmente no baseline, porque seu comportamento relativo é parte do diagnóstico.

Frequências de defeito de rolamento do excitador

Os rolamentos do excitador são os componentes de maior risco de falha em peneiras vibratórias. Eles trabalham sob carga dinâmica de alta amplitude e a taxa de falha prematura nesse componente é significativamente mais alta do que em rolamentos de máquinas rotativas convencionais.

As frequências de defeito são calculadas a partir da geometria do rolamento e da rotação do excitador: BPFO (pista externa), BPFI (pista interna), BSF (esfera) e FTF (gaiola). 

Esses valores precisam ser calculados e registrados no sistema de monitoramento antes de qualquer análise. Sem eles, os picos de defeito passam despercebidos dentro do espectro dominado pela frequência de excitação.

Frequências de ressonância estrutural

A ressonância estrutural é o modo de falha mais perigoso e mais fácil de subestimar em peneiras vibratórias. Cada estrutura tem frequências naturais, com amplitude desproporcionalmente alta quando excitada. Se a frequência de excitação do equipamento se aproxima de uma frequência natural da estrutura, as amplitudes crescem rapidamente e a falha mecânica pode evoluir de forma acelerada.

As frequências de ressonância estrutural da peneira e dos seus suportes precisam ser mapeadas durante o comissionamento e reavaliadas sempre que houver modificação na estrutura, substituição de molas de apoio ou alteração de carga sobre a grelha. Qualquer evento que altere a rigidez do sistema pode deslocar a frequência natural e criar uma nova condição de risco de ressonância.

Modos de falha e como se manifestam no espectro de análise de vibração

Rolamento do excitador

O principal desafio técnico da análise de vibração em peneiras é que os rolamentos do excitador operam imersos em um campo de vibração de alta amplitude gerado pelo próprio equipamento. 

Esse campo eleva o piso de ruído do espectro em toda a faixa de frequência e os picos de defeito de rolamento nos estágios iniciais, que são sutis em condições normais, ficam ainda mais difíceis de distinguir nesse ambiente.

A abordagem correta não é monitorar a amplitude absoluta das frequências de defeito, mas sim a progressão dessas amplitudes ao longo do tempo em relação ao baseline. Um pico de BPFO que é constante há semanas é menos preocupante do que um pico menor que cresceu 40% nos últimos 10 dias.

A técnica de envelope (demodulação de amplitude em banda de alta frequência) é o recurso mais eficaz para identificar defeitos de rolamento nesse ambiente. Ela processa o sinal em uma faixa de frequência mais alta, onde a influência da excitação da peneira é menor, e extrai os impactos periódicos característicos dos defeitos de pista e de elemento rolante. 

Só que para isso funcionar o sensor precisa ter faixa de frequência e resolução adequadas, e a plataforma precisa suportar análise por envelope com banda configurável.

Modos de falha e como se manifestam no espectro de análise de vibração

Desbalanceamento do contrapeso ou eixo excêntrico

O desbalanceamento no excitador se manifesta como crescimento anormal da amplitude na frequência de excitação (1× do excitador) em relação ao baseline. Em peneiras com excitador de eixo simples, isso aparece como aumento proporcional do pico dominante. 

Em excitadores de dois eixos, o desbalanceamento assimétrico entre os dois eixos altera a relação de amplitude entre as duas frequências de excitação (esse indicador só é legível quando ambas estão documentadas no baseline).

O desbalanceamento em peneiras tem duas origens principais: desgaste irregular das massas excêntricas ao longo do tempo, e ajuste incorreto das massas após uma manutenção. O segundo caso é mais comum e mais fácil de corrigir, mas só é identificável quando há dado de referência antes e depois da intervenção.

Soltura estrutural: parafusos, molas e suportes

A soltura estrutural em peneiras vibratórias é um modo de falha que se instala de forma progressiva e silenciosa, até o ponto em que a amplitude aumenta abruptamente e a estrutura começa a apresentar deformação visível ou fratura.

A assinatura no espectro é a mesma de folga mecânica em outros ativos: série de harmônicas da frequência de excitação (1×, 2×, 3× e superiores) com piso elevado e possível aparecimento de sub-harmônicas (0,5×, 1,5×). 

A diferença em peneiras é que essa assinatura precisa ser interpretada em relação ao espectro já dominado pela excitação, o que exige experiência do analista e histórico de tendência.

Parafusos de fixação da grelha, elementos de mola e suportes laterais são os pontos mais frequentes de soltura. Em operações com variação frequente de granulometria e carga, o ritmo de afrouxamento é mais acelerado e a frequência de inspeção física desses pontos precisa ser ajustada de acordo.

Ressonância por alteração de rigidez

Ressonância em peneiras vibratórias pode ter origem em dois eventos distintos: deterioração dos elementos de mola de suporte, que reduz a rigidez do sistema e desloca as frequências naturais, e modificações na estrutura ou na carga operacional que alteram a distribuição de massa do conjunto.

O sinal de ressonância aparece como crescimento rápido e desproporcionalmente alto da amplitude em uma faixa de frequência específica, diferente do crescimento gradual dos outros modos de falha. 

Em muitos casos, a amplitude cresce de forma não linear: estável por semanas e explosiva nos dias seguintes.

Identificar ressonância no estágio em que a amplitude ainda está crescendo depende de monitoramento contínuo com resolução temporal suficiente para capturar a aceleração do crescimento.

Benefícios da análise de vibração em peneiras vibratórias

O impacto do monitoramento bem estruturado em peneiras vibratórias é mais amplo do que a simples prevenção de parada. Há consequências específicas para esse tipo de ativo que vão além do que se obtém monitorando outros equipamentos da linha.

Veja alguns dos benefícios:

Proteção do rolamento do excitador antes da falha catastrófica. A falha de rolamento em excitador é catastrófica e pode destruir o eixo excêntrico, as tampas do excitador e, em casos mais graves, a estrutura da peneira. 

O custo de substituição de um conjunto excitador completo é bem maior do que o custo de trocar o rolamento no estágio inicial de defeito. 

Nesse caso, a análise de vibração contínua é a melhor das respostas para identificar o sinal de defeito incipiente e evitar a falha catastrófica.

Detecção de ressonância antes da falha estrutural. Trincas de fadiga em estruturas de peneira vibratória são uma das falhas de maior custo de reparo e maior tempo de parada nesse tipo de equipamento. 

A maioria delas tem origem em condições de ressonância que se desenvolvem ao longo do tempo e que o monitoramento de vibração identifica antes que o dano estrutural seja visível.

Validação do resultado de manutenção. Toda intervenção em peneira altera o comportamento dinâmico do equipamento. O dado de vibração antes e depois da intervenção é o único critério objetivo para confirmar que o ajuste foi bem executado e que o equipamento voltou à condição de operação esperada. 

Sem esse dado, a validação depende exclusivamente do julgamento do técnico.

Como a Tractian faz análise de vibração em peneiras vibratórias

A solução de monitoramento de condição da Tractian foi desenvolvida para operar em ambientes de alta vibração como peneiras, com sensores que cobrem a faixa dinâmica e a resolução espectral necessárias para capturar tanto os picos dominantes da excitação quanto os sinais sutis de defeito de rolamento nos estágios iniciais.

Os sensores são instalados nos mancais do excitador e nos pontos críticos da estrutura, e passam a coletar dados de vibração e temperatura de forma contínua. 

A plataforma aprende o comportamento normal de cada peneira individualmente, incluindo as variações de espectro associadas a mudanças de carga e tipo de material, e então identifica os desvios que indicam progressão de falha, separando-os das variações operacionais normais.

Os alertas chegam com contexto técnico: qual frequência está em desvio, qual modo de falha é o mais provável, qual é a tendência ao longo do tempo e qual é a ação recomendada. 

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Erik Cordeiro
Erik Cordeiro

Engenheiro de Aplicações

Engenheiro de Aplicações na Tractian, Erik Cordeiro é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de São Carlos e Pós-Graduado em Gestão de Manutenção, com especialização em manutenção industrial e gestão de energia. Com alta expertise em operações industriais e amplo domínio de manutenção preditiva, Erik é referência em soluções para aumentar a confiabilidade em plantas fabris.

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