Matriz RACI: benefícios e como implementar na sua planta

Breno Smanio

Atualizado em 11 fev. de 2026

Matriz RACI: benefícios e como implementar na sua planta

Matriz RACI: benefícios e como implementar na sua planta

Na rotina da manutenção industrial, é comum ver boas estratégias falharem por falta de organização na hora da execução. Não falta recurso ou conhecimento técnico, mas a sensação é de que ninguém sabe exatamente quem faz o quê. 

Isso aparece claramente quando ordens de serviço ficam paradas por dias esperando aprovação, ou então quando uma mesma tarefa é executada duas vezes por técnicos diferentes. Decisões importantes se perdem e, no fim, o tempo do time é gasto resolvendo problemas que poderiam ser evitados se houvesse mais clareza de responsabilidades.

A Matriz RACI serve para isso. Essa ferramenta de gestão funciona como um acordo operacional entre as pessoas envolvidas no processo, deixando explícito quem é responsável pela execução, quem aprova, quem deve ser consultado e quem precisa apenas ser informado. 

Ela propõe uma comunicação com menos ruído, mais agilidade e um fluxo de manutenção mais previsível.

Ao longo deste artigo, você vai entender o que é a Matriz RACI, como os papéis são definidos, quais benefícios ela traz para a manutenção industrial e, principalmente, como implementar esse modelo de forma prática na sua planta.

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O que é Matriz RACI?

A Matriz RACI é uma ferramenta de gestão para organizar responsabilidades dentro de um processo, projeto ou rotina operacional. Em vez de deixar subentendido quem conduz cada etapa, ela torna explícito o papel de cada pessoa envolvida em uma tarefa, desde o planejamento até aprovação e execução.

Na prática, a RACI funciona como uma tabela. 

Em um dos eixos, você lista as atividades (por exemplo, “abrir OS X”, “programar parada Y”, “realizar inspeção de Z”, “liberar equipamento”). No outro, coloca os cargos ou funções que participam do fluxo (técnico, líder, PCM, engenharia, produção, qualidade, suprimentos). 

Em cada cruzamento, você marca qual é o tipo de participação daquela função na tarefa.

O objetivo é reduzir ruído e retrabalho, acelerando decisões e evitando gargalos, que são comuns quando o processo envolve várias áreas, turnos diferentes ou níveis distintos de autonomia.

Como são divididos os papéis da Matriz RACI?

A lógica da RACI é bem direta: para cada tarefa, você define como cada função participa do processo. Isso evita dois extremos muito comuns na manutenção: atividades sem dono, que ninguém assume, e atividades com dono demais, aquelas em que todo mundo opina e a decisão custa a sair.

A seguir, vamos detalhar o que significa cada letra e como isso funciona no dia a dia:

Responsável (R)

O Responsável é quem executa a tarefa. É a pessoa ou o time que coloca a mão na massa e garante que a atividade seja realizada conforme o planejado. Na manutenção industrial, normalmente estamos falando do técnico de manutenção, do eletricista, do mecânico ou até de uma equipe terceirizada, dependendo da complexidade do serviço.

Aqui, um ponto importante: pode haver mais de um responsável, desde que fique claro quem está envolvido na execução. O erro comum é confundir o R com quem manda ou aprova. Na Matriz RACI, o Responsável não decide o rumo do processo, só executa.

Quando esse papel está bem definido, a manutenção ganha ritmo. As ordens de serviço fluem melhor, o retrabalho diminui e o time sabe exatamente o que precisa ser feito, sem depender de confirmações constantes ou alinhamentos informais no meio do turno.

Aprovador (A)

O Aprovador é quem responde pelo resultado final da tarefa. É essa pessoa que valida se a atividade pode começar, seguir para a próxima etapa ou ser considerada concluída. 

Na manutenção, esse papel costuma estar com o líder de manutenção, o supervisor, o PCM ou, em alguns casos, com a engenharia ou a produção, depende do nível de impacto da atividade.

Diferente do Responsável, que pode ser um time todo, o Aprovador deve ser um só. Quando mais de uma pessoa tem poder de aprovação, o fluxo trava. As decisões se arrastam, ordens de serviço ficam paradas e a manutenção perde agilidade justamente nos momentos em que o tempo é mais crítico.

Definir claramente quem aprova evita esse gargalo. O processo fica mais previsível e as decisões acontecem no tempo certo, com mais autonomia e segurança.

Consultado (C)

O C da sigla RACI é o Consultado, que é quem contribui com conhecimento técnico, experiência ou contexto antes que a tarefa seja executada ou aprovada. 

É uma participação ativa, mas pontual. Na manutenção industrial, esse papel costuma envolver engenharia, confiabilidade, qualidade, segurança ou até a produção, quando a decisão impacta o processo produtivo.

O Consultado opina, orienta e esclarece, mas não executa e nem aprova. O erro mais comum é transformar todo mundo em “C”, criando discussões longas para decisões que poderiam ser simples. A RACI ajuda justamente a limitar esse escopo.

Quando bem aplicado, o papel do Consultado eleva a qualidade técnica das decisões sem travar o fluxo. A manutenção ganha respaldo técnico, reduz riscos e fica mais livre para avançar, em vez de ficar presa a reuniões, mensagens e validações informais.

Informado (I)

O Informado é quem precisa ter visibilidade sobre o que está acontecendo, mas não participa diretamente da execução ou da decisão. Seu papel é acompanhar o andamento, entender impactos e se manter alinhado com o processo. 

Isso pode incluir gestores, planejamento, produção, qualidade ou até outras áreas que dependem da disponibilidade dos ativos.

Diferente do Consultado, o Informado não opina, nem interfere. Ele apenas recebe a informação para evitar surpresas, como uma parada não comunicada, uma mudança de cronograma ou a liberação de um equipamento crítico.

Quando esse papel é bem definido, a comunicação flui melhor. Há menos mensagens desnecessárias, menos interrupções no trabalho do time e mais transparência para quem precisa acompanhar indicadores, prazos e impactos operacionais sem entrar no detalhe da execução.

Qual é o papel da Matriz RACI na manutenção industrial?

Na manutenção industrial, quase nenhuma atividade acontece de forma isolada. Uma simples ordem de serviço pode envolver manutenção, produção, PCM, engenharia, segurança e até suprimentos. Sem uma definição clara de papéis, esse fluxo vira um terreno fértil para atrasos, retrabalho e decisões desalinhadas.

A Matriz RACI entra para organizar essa complexidade. Ela ajuda a estruturar processos como a abertura e priorização de OS, planejamento de paradas, execução de preventivas e análises de causa raiz. Cada etapa passa a ter responsáveis claros, aprovações objetivas e canais de comunicação bem definidos.

Com isso, a manutenção deixa de depender de alinhamentos informais ou montes de mensagens paralelas. O processo se torna mais previsível, auditável e fácil de escalar, especialmente em plantas maiores, com múltiplos turnos, áreas e níveis de criticidade de ativos.

Benefícios da Matriz RACI

Ao organizar as responsabilidades, a matriz RACI ataca problemas crônicos que afetam a produtividade, comunicação e previsibilidade sem exigir mudanças complexas de estrutura.

A seguir, vamos detalhar os principais benefícios da Matriz RACI e como cada um deles se reflete diretamente na gestão da manutenção e no desempenho da planta:

Benefícios da Matriz RACI

Melhora na comunicação

Com a RACI, a comunicação é direcionada exatamente para quem precisa. Isso reduz ruído, evita repasses confusos e faz as informações chegarem no momento certo, principalmente na dinâmica entre manutenção, produção e PCM.

Maior transparência

Quando os papéis estão definidos, fica fácil enxergar quem está com a bola em cada etapa. O fluxo para de depender de suposições e a gestão ganha visibilidade real sobre os gargalos, atrasos e pontos de decisão.

Responsabilização assertiva

A RACI evita o debate exaustivo de encontrar culpados quando algo sai do esperado. Essa estratégia coloca o foco em definir responsáveis antes, para não abrir espaço para dúvidas. Cada tarefa tem um responsável e um aprovador claros, o que reduz zonas cinzentas e aumenta a consistência na execução.

Aumenta a colaboração

Ao separar quem executa, quem aprova e quem precisa ser consultado, a RACI organiza a colaboração sem transformar tudo em reunião. Quem está envolvido sabe que tem função e importância na sua etapa, aumentando o senso de dono em cada pessoa ou time estipulado. 

O processo aciona as pessoas certas para cada tarefa e avança com mais clareza.

Reduz a sobrecarga de trabalho

A sensação de sobrecarga pode aparecer rapidamente em um cenário de tarefas duplicadas, interrupções e retrabalho por falta de definição. Com a RACI, cada um sabe seu papel e o time deixa de absorver tudo por falta de dono.

Eleva a autonomia dos colaboradores

Quando o fluxo é claro, o técnico e o PCM ganham mais autonomia para seguir o processo sem depender de validações informais a cada passo. A operação fica menos engessada e mais previsível.

Eficiência no uso do tempo

A RACI reduz o tempo gasto com alinhamentos repetidos, espera de aprovação e idas e vindas de informação. No fim, sobra mais tempo para o que realmente move a manutenção: planejar, executar e melhorar.

Passo a passo para implementar um modelo de Matriz RACI

Implementar a Matriz RACI na manutenção não exige ferramentas complexas nem grandes mudanças estruturais. É um tabela simples, mas o ponto crítico está na forma como ela é construída e usada no dia a dia.

A seguir, você confere um passo a passo prático para aplicar a RACI de forma funcional na sua planta, conectando o modelo à rotina real de manutenção:

1. Defina os objetivos do projeto

Antes de montar qualquer matriz, é essencial responder a uma pergunta: o que você quer organizar com a RACI? Tentar aplicar a RACI para tudo logo de início costuma gerar confusão. A ferramenta funciona melhor quando aplicada a processos específicos.

 O ideal é começar por um fluxo crítico, onde já existem gargalos claros, como atrasos, retrabalho, conflitos de decisão ou falta de alinhamento entre áreas.

2. Determine as funções

Com o objetivo definido, o próximo passo é listar as funções que participam do processo. Importante: não deve ser uma lista com os nomes das pessoas. Aqui, o foco deve estar nos papéis organizacionais, como técnico de manutenção, engenharia, produção, etc.

Esse cuidado é importante porque a manutenção é dinâmica. Pessoas mudam de turno, de função ou até de planta, mas os processos continuam. Quando a RACI é construída por função, ela se mantém válida ao longo do tempo e facilita a padronização.

Outro ponto-chave é evitar exageros. Incluir funções que não interferem diretamente no fluxo só aumenta a complexidade da matriz e dilui a clareza que ela deveria trazer.

Passo a passo para implementar um modelo de Matriz RACI

3. Atribua o RACI a cada função e tarefa

Agora vem o núcleo da Matriz RACI: para cada tarefa do processo, defina como cada função participa. Quem executa? Quem aprova? Quem precisa ser consultado antes? Quem apenas deve ser informado?

Aqui, simplicidade é regra. Cada tarefa deve ter pelo menos um Responsável (R) e apenas um Aprovador (A). Já os papéis de Consultado (C) e Informado (I) devem ser usados com critério, apenas quando realmente agregam valor ao fluxo.

Esse é o momento de expor conflitos e ambiguidades que já existem na prática. Se há dúvidas sobre quem aprova, quem decide ou quem executa, elas precisam ser resolvidas aqui (e não no meio de uma parada ou de uma falha crítica).

4. Revise a matriz RACI com todos os integrantes

Depois de montar a matriz, é fundamental validá-la com as pessoas que participam do processo. Esse é o momento de alinhamento operacional. É aqui que ajustes finos acontecem e resistências naturais são tratadas antes da aplicação real.

Esse passo evita um erro comum: o modelo fica bonito no papel, mas desconectado da rotina do chão de fábrica. Ao revisar a RACI com o time, você garante que os papéis fazem sentido, que as decisões são viáveis no tempo certo e que todos entendem suas responsabilidades.

5. Use a RACI como um feedback

A Matriz RACI não deve ser um documento estático. Ela funciona melhor quando é usada como referência para análise e melhoria contínua. Sempre que um processo travar, atrasar ou gerar retrabalho, vale revisitar a matriz e perguntar: o papel estava claro? A aprovação estava bem definida? Alguém foi envolvido além do necessário?

Usar a RACI como feedback ajuda a amadurecer os processos de manutenção ao longo do tempo. A matriz evolui junto com a operação, acompanhando mudanças de equipe, criticidade e complexidade dos fluxos sem perder a clareza.

Como a Tractian materializa a RACI no fluxo real de manutenção

Definir responsabilidades só no papel não sustenta uma rotina de manutenção mais madura. Para que a Matriz RACI funcione de verdade, ela precisa estar conectada ao fluxo real de trabalho, onde tarefas são abertas, executadas, validadas e acompanhadas em tempo real.

Em operações maduras, a tecnologia tem um papel estratégico nisso. Quando o monitoramento dos ativos acontece de forma contínua, com alertas claros e contexto técnico confiável, fica muito mais simples acionar as pessoas certas no momento certo. 

A solução de monitoramento de condição da Tractian viabiliza esse modelo ao transformar sinais de máquina em insights acionáveis, conectando a detecção de anomalias diretamente à rotina da manutenção. 

Isso reduz decisões reativas, elimina ruído na comunicação e cria um ambiente onde a lógica da RACI deixa de ser teórica e passa a orientar, de fato, o dia a dia da planta.

A Matriz RACI tem como objetivo melhorar a previsibilidade, autonomia e eficiência, três pilares que só se sustentam quando processos claros e tecnologia caminham juntos.

Tenha mais clareza e menos improviso na manutenção. Descubra como o monitoramento inteligente da Tractian transforma dados de máquina em decisões rápidas, organizadas e alinhadas às responsabilidades do time.
Breno Smanio
Breno Smanio

Sales Engineer com especialidade em Usinas

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