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Sensor de vibração em reatores químicos: como monitorar áreas classificadas

Erik Cordeiro

Atualizado em 15 mai. de 2026

8 min.

Reatores químicos não param sem aviso, mas é possível que sua planta não esteja percebendo tais avisos.

Em quase toda planta de processos químicos, existe um conjunto de reatores que define o ritmo da operação. Quando um deles entra em campanha, a equipe de manutenção tem pouco acesso direto. Quando ele sai de campanha para parada programada, a janela de intervenção é curta e a fila de pendências é longa. 

Entre uma coisa e outra, o que sustenta a decisão é o dado que vem de campo, e a qualidade desse dado depende de uma camada de sensores que precisa, antes de qualquer outra coisa, ser segura para operar onde o reator opera.

Esse é o ponto onde a maioria dos projetos de preditiva em planta química trava. Não pela falta de sensor disponível no mercado, mas pela combinação de duas perguntas que costumam ser respondidas na ordem errada. Primeiro se pergunta qual sensor comprar. Depois, se pode entrar na área. O caminho certo é o inverso. Primeiro, qual é o nível de risco daquela área e daquele ativo. Depois, qual sensor cabe naquela conversa.

Veja, neste artigo, o que muda quando o reator está em área classificada, como classificar a zona antes de especificar o sensor, quais pontos do reator entregam mais informação quando entram no monitoramento contínuo, e como reduzir a dependência da rota manual em ambientes onde acesso frequente não é uma opção.

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O que muda quando o reator está em área classificada

A classificação de área é um atributo do ambiente, não do equipamento que opera dentro dele. E é esse atributo do ambiente que define, antes de qualquer escolha técnica, o que pode e o que não pode estar ligado naquela zona.

Em Zona 0, em Zona 1 ou em Zona 20, a atmosfera explosiva está presente de forma contínua, frequente ou prolongada. Qualquer fonte de ignição é proibida por norma. Ou seja, um sensor sem certificação válida para aquela zona específica, instalado em um reator nessas condições, é uma infração à norma e um risco direto à integridade da planta e das pessoas que circulam ali.

São vários os critérios na escolha do sensor ideal, mas eles entram depois. O primeiro filtro é a certificação. O sensor precisa ter certificação INMETRO 115/2022 válida para a zona específica do ativo simplesmente.

E aí aparece o segundo problema. Em boa parte do mercado, sensor certificado para Zona 0 e Zona 20 ainda é caro, escasso e limitado em recursos. A planta acaba escolhendo entre duas opções igualmente ruins: instalar sensor genérico em ponto fora da zona (perdendo a leitura do ativo crítico) ou manter o reator em monitoramento por rota com coletor portátil, com toda a limitação que rota manual traz em ambiente que não admite acesso frequente.

A boa notícia é que essa não precisa mais ser a única escolha.

Como classificar a zona antes de especificar o sensor

Antes de escolher o sensor, é preciso entender o que aquela zona específica permite. E o erro mais comum em projetos de preditiva em plantas químicas é tratar a classificação como atributo da planta inteira, não do ponto específico do ativo.

A norma brasileira de áreas classificadas, alinhada à IEC 60079, define três níveis de zona para gás e três para poeira, em função da probabilidade e da duração da atmosfera explosiva no ponto. Os três são:

  • Zona 0 e Zona 20: atmosfera explosiva presente de forma contínua ou por longos períodos. Reator que opera com solvente inflamável aberto, tanque de processo com presença constante de vapor, silo de pó combustível em operação contínua.
  • Zona 1 e Zona 21: presença ocasional em operação normal. Áreas próximas a flanges, conexões, válvulas de processo onde vazamento pode ocorrer de forma esperada durante a operação.
  • Zona 2 e Zona 22: presença improvável e de curta duração. Áreas adjacentes onde a atmosfera explosiva só aparece em condição anormal ou falha.

A consequência prática é que dois pontos no mesmo reator podem ter classificação completamente diferente. O mancal do motor de acionamento, em geral, fica fora da zona crítica. O selo mecânico do agitador, que opera em contato direto com o conteúdo do reator, pode estar em Zona 0. 

Especificar o mesmo sensor para os dois pontos é, na maioria dos casos, ou pagar a mais pelo mancal externo, ou ficar sem cobertura no selo.

O caminho correto é mapear ponto a ponto, validar a classificação com o responsável pela documentação Ex da planta (na maioria das operações químicas, é a engenharia de processo ou de segurança), e só então especificar o sensor que cabe em cada zona.

Em plantas com várias unidades de processo, essa conversa ganha outra camada. Cada unidade pode ter uma classificação dominante diferente, e o programa de preditiva precisa lidar com sensores certificados em níveis diferentes ao longo da planta, sem que isso vire um inventário impossível de gerenciar.

Como classificar a zona antes de especificar o sensor

Quais pontos do reator entregam mais informação quando entram no monitoramento contínuo

Reator químico é um sistema, não um ativo único. Tem vários componentes rotativos críticos, e cada um deles tem um modo de falha distinto, com uma janela de detecção distinta e um custo de falha distinto. Olhar o reator como uma caixa só, em geral, leva o projeto a monitorar o que é fácil de instrumentar, não necessariamente aquilo que entrega mais informações.

Existem três grupos de pontos onde o monitoramento contínuo costuma pagar o investimento mais rápido em reator químico:

Agitador e selo mecânico

O agitador é, em quase toda planta química, o ponto onde a falha tem maior impacto operacional. Quando o agitador para no meio de uma campanha, o batelada pode virar perda total se o processo for sensível à mistura. Quando o selo mecânico vaza, a consequência vai além da parada: tem implicação ambiental, tem risco de exposição química, tem custo de descontaminação.

Os modos de falha relevantes são bem mapeados. 

Desgaste do selo mecânico aparece como sinal de fricção em alta frequência muito antes de qualquer vazamento visível. Desalinhamento do eixo aparece no segundo harmônico de rotação. Folga em mancal aparece como aumento de amplitude em frequências características do rolamento. Todos esses sinais aparecem semanas, às vezes meses, antes da falha funcional, quando a coleta é contínua.

O problema é que o selo mecânico, justamente o componente onde a janela de antecipação é maior, fica em ponto que pode estar classificado em Zona 0.

Bombas de circulação e dosagem

Bombas de circulação mantém o fluxo de fluido entre o reator e os trocadores de calor. Bombas de dosagem injetam reagentes em vazão controlada. Qualquer desvio nesses fluxos altera a química do processo, e isso afeta diretamente o rendimento e a especificação do produto.

Os modos de falha previsíveis são cavitação (sinal de banda larga em alta frequência), desalinhamento entre bomba e motor (segundo harmônico de rotação) e degradação de lubrificação no rolamento do motor. 

Este último é o que mais chega tarde com sensor de vibração tradicional, porque o atrito anormal interno gera ondas acústicas em alta frequência antes da amplitude vibratória se mexer. É exatamente nessa janela que o ultrassom abre uma frente de detecção que a vibração isolada não cobre.

Motor de acionamento

O motor de acionamento do reator costuma estar em zona menos crítica que o agitador, mas isso não significa que ele entrega menos informação. Pelo contrário. O motor é o ativo onde a leitura combinada de vibração, temperatura e RPM real (não estimado) detecta falhas elétricas e mecânicas que a planta normalmente só descobre na próxima inspeção térmica.

Folga elétrica entre rotor e estator, desbalanceamento progressivo, degradação de rolamento de motor, todos esses modos aparecem no espectro de vibração com tempo de sobra para intervir. Em reator com VFD, a leitura precisa de RPM é o que separa diagnóstico real de falso positivo, porque a velocidade de operação muda em função da etapa da campanha, e sensor sem magnetômetro embutido tende a interpretar variação de RPM como variação de severidade.

Como reduzir rota manual em ambiente que não admite acesso frequente

A rota manual com coletor portátil resolveu, por décadas, o problema de coleta de dados em ativos críticos. Em plantas químicas com reatores em área classificada, ela continua funcionando, mas com uma limitação que define todo o resto: a frequência da coleta é baixa, e baixa demais para capturar a evolução real de algumas falhas.

O selo mecânico, por exemplo, não dá sinal claro um mês antes da falha, e sim entre 72 e 96 horas antes da falha, em muitos casos. O rolamento de bomba em processo corrosivo evolui rápido quando a lubrificação começa a degradar. E um motor com folga elétrica progressiva pode passar de aceitável para crítico em uma semana.

Nesse caso, a coleta quinzenal, em reatores com esse tipo de cinética de falha, deixa cego justamente o intervalo onde a decisão precisaria ser tomada. E aumentar a frequência da rota manual em uma área classificada não é nada viável: cada coleta exige liberação de área, EPI específico, tempo de técnico qualificado, e tudo isso compete com outras prioridades da equipe.

O sensor contínuo certificado para a zona específica do reator substitui a maior parte dessa rota e libera o técnico para investigação em campo só quando o dado pede para ser investigado. Isso muda a economia da equipe de duas formas. 

  • Primeiro, o tempo de técnico qualificado deixa de ser consumido em coleta repetitiva e passa a ser direcionado para diagnóstico e ação. 
  • Segundo, a frequência efetiva de monitoramento sobe de quinzenal para contínua, sem aumentar a carga da equipe.

O ganho aparece também no nível de risco. Um reator monitorado em modo contínuo, com alerta que chega à equipe no momento da progressão da falha, é um ativo que está protegido em um nível diferente do reator monitorado em rota. E essa diferença de proteção é mensurável, em probabilidade de falha não planejada, em horas de parada por ano, em custo de manutenção corretiva. 

Como a Tractian protege reatores em áreas classificadas

Boa parte do que foi descrito acima vale para qualquer projeto de preditiva em planta química com áreas classificadas, independente de fornecedor. O que muda quando a Tractian entra na conversa é como o reator passa a ser tratado: como ativo a ser protegido, com nível de cobertura definido, e não como ponto a ser instrumentado com mais um sensor.

O sensor de vibração da Tractian é certificado conforme portaria INMETRO 115/2022 para Zona 0 e Zona 20, com segurança intrínseca validada para os pontos mais críticos do reator. 

Combina vibração triaxial em alta resolução, ultrassom contínuo até 200 kHz, magnetômetro para leitura de RPM real e temperatura de carcaça em um único ponto de instalação. Isso cobre, com um dispositivo só, o espectro de falhas que em sensores convencionais exigiria três tecnologias separadas e três pontos diferentes de coleta.

Mas o sensor é a camada de coleta, não a camada de valor. O valor aparece na forma como o dado é interpretado e priorizado.

A plataforma de Asset Condition da Tractian olha o reator como um sistema: agitador, selo, bombas, motor, todos conectados em um mesmo perfil de risco. O alerta chega para a equipe com modo de falha provável, progressão da condição e ação recomendada. A criticidade do ativo entra na sensibilidade do alarme e a prioridade da intervenção vem da taxa de mudança da condição, não do horário em que o alerta foi disparado.

O dado preditivo entra no mesmo ambiente onde a equipe planeja preventivas, corretivas e paradas programadas, integrado aos principais CMMS de mercado via APIs e conector SQL. Assim, quando o alerta de progressão de falha no selo de um agitador chega, ele entra como input direto no fluxo de planejamento da próxima parada. 

Por trás de tudo isso, no AI Center da Tractian, em São Paulo, os modelos de análise são treinados com padrões reais de operação. Para um agitador de reator químico, o modelo aprende o comportamento daquele agitador específico, naquela campanha específica, com aquele perfil de carga. Os alertas refletem a condição real do ativo, não um threshold genérico calibrado para máquina de outra natureza.

É assim que a gente garante que suas máquinas não quebrem: quebrando as nossas e coletando dados para antecipar essas falhas em outros ativos.

Se a sua planta tem reator em área classificada e o programa de preditiva ainda depende de rota manual ou de sensor que não cobre as zonas críticas, está na hora de mudar e trazer mais segurança e praticidade para sua operação.

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Erik Cordeiro
Erik Cordeiro

Engenheiro de Aplicações

Engenheiro de Aplicações na Tractian, Erik Cordeiro é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de São Carlos e Pós-Graduado em Gestão de Manutenção, com especialização em manutenção industrial e gestão de energia. Com alta expertise em operações industriais e amplo domínio de manutenção preditiva, Erik é referência em soluções para aumentar a confiabilidade em plantas fabris.

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