No dia a dia da indústria, a equipe de manutenção lida com uma série de desafios. Com uma lista de problemas a serem resolvidos, pode ser difícil elencar quais são as prioridades da operação. Para isso foi criada a Matriz GUT, ferramenta que ajuda equipes de diversas áreas a tomar decisões mais assertivas.
A Matriz GUT, além disso, é uma grande aliada no Planejamento e Controle de Manutenção (PCM), já que ajuda a encontrar as melhores estratégias para alocar recursos do setor, organizar a mão de obra e gerenciar o tempo, priorizando os reparos em ativos mais críticos.
Com essas máquinas funcionando e com um plano de ação definido no caso de falha, a equipe garante maior usabilidade, segurança e confiabilidade dos ativos e da planta como um todo.
Foi pensando nisso que desenvolvemos este artigo, que te explica o conceito de Matriz GUT, como calculá-la, e como priorizar problemas e otimizar a manutenção. Boa leitura!
Matriz GUT: o que é?
O nome da estratégia pode parecer técnico e complexo, mas é tão simples quanto uma sigla. Significa Gravidade, Urgência e Tendência. A partir desses três pontos, é possível encarar decisões difíceis na manutenção (e em diversas outras áreas) com mais objetividade.
A ferramenta tem um propósito claro: priorizar as ações a serem tomadas na gestão de problemas. Essencialmente, é um levantamento quantitativo de gravidade, urgência de solução e tendência de crescimento. Quando aplicada à manutenção, sua função é definir quais inspeções em quais ativos são mais importantes naquele momento, na planta em questão.
Significado da sigla GUT
- Gravidade: impacto do problema e prejuízos que causará à empresa se nada for feito. Para saber a gravidade, analise o papel do ativo na planta, pessoas envolvidas, resultados e processos da máquina, efeitos a médio e longo prazo, entre outros.
- Urgência: tempo que a equipe pode tomar para resolver o problema sem que a produção seja fortemente afetada. Quanto maior a urgência, menor é o tempo disponível.
- Tendência: potencial de crescimento do problema e a probabilidade de se tornar maior com o tempo.
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Matriz GUT: como construir?
Para criar uma Matriz GUT personalizada para sua planta, é necessário usar dados numéricos e, ao final, obter uma decisão lógica e embasada.
Deve-se montar uma tabela, primeiro listando todos os problemas que devem ser enfrentados pela equipe de manutenção. Depois, elencá-los em cruzamento com os fatores de gravidade, urgência e tendência, atribuindo valores de 1 a 5.
Com a tabela montada, os valores de G, U e T de cada problema devem ser multiplicados e os resultados comparados. Assim é possível descobrir prioridades e qual defeito ou falha pode trazer prejuízos para a empresa.
Por exemplo, se um motor elétrico apresentou uma falha de lubrificação e um compressor deu sinais de um desbalanceamento, é preciso fazer a multiplicação dos três fatores e comparar. O problema com maior resultado é o mais grave, mais urgente e com maior tendência de piorar rapidamente.
É importante destacar um método utilizado por muitas empresas: a priorização das resoluções de problemas e a aplicação da Matriz GUT são realizadas em até 24 horas após a abertura da Ordem de Serviço. Caso isso não aconteça, os números de Gravidade e Tendência são automaticamente diminuídos para o menor valor.
Enquanto isso, para OS's abertas, a cada sete dias a pontuação GUT deve ser revista e deve-se estabelecer novos parâmetros para Gravidade e Tendência, enquanto a Urgência é determinada pelo solicitante.
Matriz GUT aplicada à Manutenção
A ferramenta pode ser uma grande aliada no Planejamento e Controle de Manutenção (PCM), já que ajuda a priorizar atividades referentes aos problemas em máquinas e equipamentos.
Também auxilia no estabelecimento de criticidade das máquinas, contribui para a tomada de decisão estratégica dentro de uma operação e previne grandes prejuízos aos ativos e à empresa, já que os mantenedores sabem quais defeitos são os mais graves e urgentes, e fazem os reparos neles primeiro.
A integração de sensores de vibração com sistemas de gestão de manutenção
A matriz GUT prioriza por três critérios: Gravidade, Urgência e Tendência. Os dois primeiros dependem do conhecimento da equipe sobre o processo, mas o terceiro, a Tendência (o quanto o problema tende a piorar), é onde o julgamento humano mais erra, porque estimar velocidade de deterioração sem dado é chute.
É exatamente esse critério que a integração entre sensor de vibração e o sistema de gestão transforma de estimativa em medição.
Veja como a integração qualifica a priorização:
A Tendência deixa de ser chute. Sem sensor, a equipe estima se a folga de um mancal vai piorar rápido ou devagar com base na experiência. Com sensor integrado, a curva de progressão da falha é medida: a amplitude de vibração está crescendo 5% ao mês ou dobrou na última semana? A nota de Tendência passa a vir do dado, não da impressão.
A Gravidade cruza com criticidade já cadastrada. O sistema de gestão já tem a árvore de ativos classificada por criticidade. Quando o sensor dispara, a integração cruza a severidade do desvio com a criticidade do ativo, alimentando a nota de Gravidade com a informação de impacto que já está no sistema.
A Urgência ganha horizonte temporal. Sensor com IA estima a progressão até a falha funcional. Isso dá à Urgência um horizonte concreto (semanas ou dias até o limite crítico), em vez de uma classificação subjetiva de "urgente" ou "pouco urgente".
A matriz vira dinâmica, não estática. GUT tradicional é preenchida numa reunião e envelhece até a próxima revisão. Com sensor integrado, a priorização se atualiza sozinha conforme a condição dos ativos muda: o ativo que estabilizou desce na lista, o que acelerou a deterioração sobe, sem esperar a próxima reunião de PCM.
Onde o dado de condição contínua encontra a Matriz GUT
Um coordenador de manutenção que trabalha com Matriz GUT sabe bem que a ferramenta funciona quando o dado que alimenta cada célula é confiável. A Gravidade a equipe até consegue estimar, porque a criticidade do ativo já está mapeada. A Urgência também, porque o solicitante costuma saber o prazo que tem.
No entanto, é na Tendência é onde a matriz sempre trava. Sem histórico técnico do ativo, a nota vira palpite, e a priorização da semana seguinte reflete esse palpite.
A plataforma da Tractian resolve exatamente esse ponto. O sensor da Tractian acompanha vibração, ultrassom contínuo, temperatura e RPM em coleta ininterrupta. Cada ativo monitorado tem histórico próprio, e a taxa de crescimento do sinal é medida contra a linha de base individual dele, não contra threshold genérico.
Quando o coordenador vai preencher a Tendência de um problema no motor elétrico da linha 3, ele já tem o dado sob a mão: vibração cresceu consistentemente nas últimas semanas, ou está estável há três meses. A nota não é carregada de um lado opinativo, mas uma leitura factual de dados.
O ganho aparece logo na segunda semana de operação. Isso porque a reunião de revisão de GUT deixa de ser discussão sobre estimativa e passa a ser uma tomada de decisão sobre como agir. O ativo com GUT 80 subiu de patamar porque a plataforma identificou aceleração da falha, não porque alguém achou que "esse rolamento não está bem".
E a ordem de serviço sobe na fila com contexto técnico, com modo de falha identificado e com peça sugerida.
Além disso, a plataforma organiza no mesmo ambiente a árvore de ativos, o histórico de intervenções, os alertas ativos e as OS abertas — tudo isso com uma IA testada antes no maior centro de estudos de Inteligência Artificial da América Latina, o AI Center.
Se a sua planta usa Matriz GUT e você percebe que a Tendência é sempre a nota que gera mais discussão porque falta dado para embasar, fale com um especialista da Tractian e veja como a plataforma se acopla ao seu PCM sem exigir troca de sistema.

